Governador do Rio admite que bondes estão sucateados

Veículo acidentado em Santa Teresa passou por 13 reparos em 22 dias; interventor já fala até em privatização do serviço

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2011 | 00h00

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), falou ontem pela primeira vez sobre o acidente com o bondinho de Santa Teresa, no sábado, que matou 5 pessoas e deixou 57 feridas. Ele descreveu a frota de bondes como "sucateada". Já o presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre, que começou ontem a trabalhar como interventor do sistema, não descartou a privatização e até a municipalização do serviço. Onofre chefia um grupo de 15 servidores do Detro que administrará os bondes por tempo indeterminado. Segundo ele, não é possível saber quando os bondes voltarão a funcionar. "Será o mais rápido possível."

Justificativa. "Foram R$ 14 milhões em investimentos para a recuperação de bondes e trilhos, isso foi feito. Mas me parece que houve problema de gerência", disse Cabral ontem. Durante evento, perguntado três vezes se vai manter no cargo o atual secretário de Transportes, Júlio Lopes, optou por não responder. O secretário, pouco depois, contrariou o que disse o governador e afirmou que os recursos não foram suficientes. "Tínhamos muitas prioridades no governo e não se fizeram os investimentos no montante necessário." À noite, divulgou nota corrigindo o que havia dito e culpando o Tribunal de Contas do Estado, que teria cobrado detalhamento maior dos investimentos, pela falta de recursos para os bondes.

À tarde, o presidente do Detro visitou a oficina onde é feita a manutenção dos bondes. Segundo o registro de manutenções, o bonde envolvido no acidente de sábado passou por 13 intervenções mecânicas em 22 dias. No mesmo período, os problemas chegaram a tirar o veículo de circulação por três vezes. Para o secretário, isso é "uma prova de que o bonde tinha 116 anos" (o sistema completa 115 anos hoje).

Processo contra o Estado

Um dos 57 feridos, o estudante André Neves, de 18 anos, afirmou ontem que pretende processar o Estado. Uma criança de 3 anos teve alta ontem e outras 15 vítimas permanecem internadas.

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