Golpistas 'vendiam' laudo falso da Cetesb

Bando atestava solo contaminado e cobrava até R$ 70 mil de propina; três estão presos

MÁRCIO PINHO, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2011 | 03h03

Três homens foram presos ontem acusados de participar de uma quadrilha que extorquia dinheiro de comerciantes da Grande São Paulo ao se passar por funcionários da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb). O bando usava roupas, capacetes e até Kombi com logotipo da estatal e cobrava propinas de até R$ 70 mil. A participação de servidores é investigada pela Corregedoria-Geral de Administração do Estado, que comandou a operação.

O advogado Maurício Luizi, de 30 anos, e Willys Prado, de 60, foram presos ontem após visitar uma das vítimas, na zona norte. À noite, um terceiro homem acusado de integrar a quadrilha, David Antequera, foi detido. Eles foram entregues ao Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), que prosseguirá com a apuração liderada até agora pelo corregedor-geral do Estado, João Batista Beolchi.

Segundo Beolchi, eles podem responder por extorsão, estelionato e uso de documentos falsos, entre outros crimes. O caso chegou à Corregedoria-Geral do Estado, que apura desvio de conduta de servidores, por meio de denúncias à Cetesb feitas por vítimas do golpe. A investigação do caso começou em setembro e, segundo o corregedor, pelo menos 20 empresas foram vítimas do golpe do bando.

"A quadrilha simulava uma fiscalização em que constatava um passivo ambiental que nunca existiu. Eles autuavam e, às vezes, davam prazo para que a empresa se regularizasse", diz Beolchi, que acredita que até oito pessoas façam parte do bando.

O esquema criminoso vigorava havia dois anos. O grupo, disfarçado com o logo da Cetesb, informava a indústrias, transportadoras e postos de gasolina que o solo do estabelecimento estava contaminado e que, dessa forma, teriam de pagar uma multa. Nessa hora, os supostos fiscais abriam brecha para o suposto suborno e cobravam propinas - em alguns casos, de R$ 70 mil - para evitar a autuação.

Golpe do metano. As fraudes ocorreram na capital e em outras cidades da Grande São Paulo, como Suzano e Mogi das Cruzes. Mais recentemente, os criminosos passaram a agir com mais intensidade em estabelecimentos do entorno do shopping Center Norte, alvo de interdição da Prefeitura em razão da contaminação do solo com gás metano. Além da perua, usavam documentos e carimbos da Cetesb.

Os golpes aplicados nas imediações do Center Norte levantaram suspeitas. O bando alegava "grande concentração de metano no subsolo" e "sério risco de explosão". Dizia também ser necessária a "instalação de poços de monitoramento" e de "válvulas de liberação de gás."

Em alguns locais, uma outra parte da quadrilha comparecia dias depois passando-se por empresa que fazia serviços geológicos para "resolver o problema do solo". Alguns desses comerciantes chegaram a contratar o trabalho, que custava de R$ 5 mil a R$ 15 mil mensais. O corregedor Beolchi afirma que, como houve flagrante nas prisões, os acusados têm de permanecer presos. O Estado não conseguiu ontem localizar advogados que representassem os acusados.

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