Golpistas são presos na fila do Consulado dos EUA em São Paulo

Suspeitos vendiam lugar por R$ 300; falsos despachantes ofereciam também serviços desnecessários para a obtenção de visto

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2014 | 19h28

SÃO PAULO - A polícia levou para a delegacia 28 suspeitos de golpes em filas de três unidades do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. Eles vendiam vagas na fila por R$ 300, se passavam por falsos despachantes e cobravam R$ 30 por estacionamentos que não existem. A operação foi feita na manhã desta sexta-feira, 25, e envolveu 40 policiais da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur).

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, diretor da Deatur, do total de detidos, sete assinaram termos circunstanciados (crimes de menor potencial ofensivo) por exercício ilegal da profissão. “Eles sempre davam o golpe em pessoas mais simples, humildes, ou do interior do Estado. Vendiam serviços desnecessários para a obtenção do visto e colocavam pânico em quem chegava de madrugada na fila.” 

Cada golpista agia por si. Gonçalves explicou que os falsos despachantes abordavam as vítimas e ofereciam entrada mais rápida no consulado. “Um dos absurdos é que eles diziam que poderiam antecipar as entrevistas, o que não existe”, afirmou. 

Os detidos também pediam para ver os documentos que as pessoas estavam levando. De acordo com o delegado, os golpistas afirmavam que as vítimas estavam com documentos a menos e vendiam por R$ 50 cópias de páginas da internet do próprio consulado.

A polícia começou a receber as reclamações há 30 dias. Desde então, a Deatur começou a monitorar as unidades e fotografou os suspeitos. Nenhum dos detidos ficou preso.

Estacionamento. A Polícia Civil iniciou as investigações a partir de um falso estacionamento. Os suspeitos colocavam uma placa em uma rua próxima da unidade da Chácara Santo Antônio, em Santo Amaro, cobravam R$ 20 para estacionar e deixavam os carros na rua. Na operação, três estacionamentos foram fechados. 

Os estacionamentos também funcionavam como quartéis-generais dos falsos despachantes. Ali, eles imprimiam páginas que não serviam para nada na hora de tirar o visto. Segundo Gonçalves, a Polícia Civil apreendeu computadores que estavam dentro dos estacionamentos. 

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