Golpista só queria saber de relógio caro

Homem escolhia vítimas em locais luxuosos, mandava ladrões roubá-las, comprava os objetos dos bandidos e revendia em sites

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2011 | 03h03

"O mundo é um lugar perigoso para se viver não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer", diz a frase atribuída ao físico Albert Einstein. É também a citação favorita de Maurício Yoppo Mazzini, de 34 anos, em uma rede social na internet. Ontem, ele foi preso na capital acusado de frequentar hotéis e restaurantes de luxo só para mapear relógios de grife para futuros roubos.

Segundo a polícia, Mazzini repassava as informações para ladrões experientes e, depois do assalto consumado, comprava o produto do roubo dos bandidos para revender em sites de comércio na internet. Cada peça poderia render até R$ 50 mil.

Indiciado por receptação, entre outros crimes, Maurício Mazzini é descrito pela polícia paulista como um hóspede audacioso e bastante observador, que não despertava a suspeita quando chegava aos hotéis e restaurantes. Sempre bem vestido, com um perfil típico de jovem de classe média alta, ele se misturava aos demais clientes tranquilamente. Era um "olheiro empreendedor", segundo a polícia.

Para chegar até ele, a Polícia Civil recebeu a informação de que um relógio de luxo que havia sido roubado na frente de um restaurante paulistano estava à venda em um site na internet.

Os policiais então se passaram por possíveis clientes. "Foram oferecidos R$ 35 mil por um Hublot. Ele foi preso em flagrante quando entregava o produto em um shopping da zona sul", afirma o delegado Osvaldo Gonçalves, titular da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur).

Equipamentos. Segundo o delegado, Mazzini era também um especialista no tipo de material que comercializava, tanto que foram apreendidas com ele ferramentas próprias para a manutenção de relógios, além de pulseiras das mais variadas. "Encontramos também uma luneta, que ele usava para observar em detalhes os relógios nos pulsos das vítimas", diz Gonçalves.

Na casa do suspeito, para onde foi levado após ser preso no shopping, foram encontrados 14 relógios das marcas Tissot, Citizen, Tag Heuer, Rolex, Mont Blanc, Victorinox e Oakley.

Além do material próprio de relojoaria, a polícia também apreendeu com o suspeito balança de precisão, material para embalar entorpecentes, duas porções de maconha, um coldre Fobus Imbel, lanterna para acoplar arma de fogo, dinheiro e uma carteira do Poder Judiciário.

Segundo a polícia, também são procurados os criminosos que roubavam os turistas e depois vendiam os relógios para o acusado de receptação.

"Até agora, ele não contou quem são os ladrões para quem passava as informações. Deve estar com medo de identificá-los", diz o responsável pela Deatur.

Também foram encontrados com o suspeito cheques de possíveis compradores de seus produtos. Não foi informado à reportagem se Mazzini constituiu advogado até a noite de ontem.

Perfil. Em sua página em uma rede social, o acusado aparece segurando uma arma de cano longo com mira telescópica. Ele diz que sua atividade principal é observar.

O "voyeur" atualizava sua página principalmente com as imagens e valores de relógios a serem comercializados - para atrair interessados.

Em 23 de maio, porém, ele voltou a fazer referência a uma frase atribuída a Einstein. "Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos."

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