FELIPE RAU/ESTADÃO
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Golpe faz Câmara de SP rever vale-refeição de servidores

Desde início do ano, funcionários registram sumiço de crédito em cartão; contrato vence em dezembro. RH fala em até 35 casos/mês

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Uma série de reclamações sobre sumiço do dinheiro depositado como vale-refeição dos servidores da Câmara Municipal de São Paulo fez o Legislativo determinar mudança de regras nesse tipo de benefício, que passará por nova licitação. Segundo o departamento de Recursos Humanos da Casa, 500 dos 2,3 mil servidores já tiveram os cartões clonados nos últimos dois anos.

O suposto golpe nos cartões vinha ocorrendo com mais intensidade desde o começo deste ano. Logo após o depósito dos créditos do mês, o dinheiro desaparecia dos cartões, deixando os servidores na mão – até a empresa responsável ressarcir os valores sacados. 

Segundo o RH da Câmara, no mês de outubro, até quinta-feira, haviam sido registrados três casos. No mês de setembro, foram 11. Mas houve meses com registro de 35 casos.

“Um dia depois da recarga, fomos almoçar e o cartão não passou. Então, descobri que o saldo estava zerado. Procurei a Polícia, fiz boletim de ocorrência, tudo certo. A informação é que todo o valor do vale tinha sido gasto, em uma única vez, em uma padaria da zona leste”, disse um servidor que pediu para não ter o nome publicado.

Servidores contaram ainda que procuraram o 1.º Distrito Policial para fazer o registro dos casos. A informação na delegacia, no entanto, é que nem todos os casos registrados ali eram investigados pela delegacia – saques ocorridos em outros bairros eram enviados para outro distritos. Além disso, como esses casos podem ser registrados tanto como estelionato quanto como furto, a depender das informações passadas pela vítima, nada havia motivado uma investigação específica. Ambos os crimes, aliás, lideram o ranking dos problemas relatados na delegacia.

Reação. O presidente da Câmara, Antônio Donato (PT), informou que a Mesa Diretora da Câmara já determinou mudanças nas regras da contratação de empresas que fornecem esse benefício. “Vamos pedir mais segurança”, disse o parlamentar. Segundo o parlamentar, os cartões atuais têm apenas tarjas magnéticas, sem dispositivos extras, como chips. 

O contrato atual vence em dezembro. Foi assinado em junho de 2013 com a empresa Planinvest Participações e Serviços, com sede em Barueri, na Grande São Paulo. Ele tem um custo mensal de R$ 2.1 milhões . O cartão dos funcionários se chama Planvale. 

Após a reportagem procurar a empresa, um representante da Planinvest telefonou para a reportagem e disse que ia “consultar o Jurídico” da empresa para decidir se prestaria informações sobre as queixas dos servidores.

Preliminarmente, rebateu os números passados pelo RH da Câmara, afirmando que estavam errados, mas que ia verificar com a empresa se ela mesma forneceria seus números sobre casos de clonagem de cartões. Depois, não retornou.

Funcionários do RH da Câmara afirmam que a Planinvest teria descredenciado locais suspeitos de auxiliar golpistas no saque do benefício dos servidores, o que reduziu o problema.


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