Leo Souza/Estadão - 16/11/2020
Roubos via Pix estão aumentando em São Paulo desde que a solução do Banco Central foi implantada no fim do ano passado. Leo Souza/Estadão - 16/11/2020

Roubo com Pix dispara em SP; sequestros-relâmpago crescem 39%

Há casos em que quadrilhas obrigam vítima a colocar senhas dos bancos para fazer transferências para contas 'laranjas'

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 15h59

SÃO PAULO - Eram 18 horas de sábado, 21, quando o bancário André Chaves, de 40 anos, foi surpreendido ao passar de carro com a noiva pelo trecho da Avenida do Estado que corta a região da Sé. Ao parar em um semáforo, o vidro do lado da passageira foi estraçalhado e rapidamente um homem tomou o celular de Chaves, fugindo entre outros veículos. Cerca de meia hora depois, o bancário havia perdido R$ 5,8 mil em transferências via Pix, crime que tem ganhado força em São Paulo desde que a solução de pagamento instantâneo do Banco Central foi implementada no fim do ano passado.

Quadrilhas organizam até sequestros para obrigar a vítima a colocar senhas dos aplicativos de banco e fazer, ela própria, a transferência via Pix para contas “laranjas”, criadas exclusivamente para receber o dinheiro. Conforme a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, foram registrados 206 boletins de ocorrência de sequestro-relâmpago no Estado de janeiro a julho deste ano — aumento de 39,1% em relação ao mesmo período de 2020. A pasta não tem o detalhamento de quais dos casos envolvem o Pix. 

“O sequestro-relâmpago estava meio que adormecido. Mas desde que o Pix entrou no mercado, em novembro de 2020, a gente notou aumento significativo dos casos”, conta o delegado da divisão antissequestro do Departamento de Operações Especiais de Polícia (Dope), Tarcio Severo. Não necessariamente o Pix é mais inseguro, mas tornou a operação mais veloz para os bandidos. “Para eles, ficou muito mais fácil. Conseguem sacar o dinheiro rapidamente, antes de a polícia tomar conhecimento. Na hora em que a gente é acionado, muitas vezes o saque já aconteceu faz tempo”, conta o delegado, complementando ainda que já trabalhou em casos cujas transferências por Pix chegaram a R$ 100 mil.

“O celular é uma arma. Tem tudo dentro dele: aplicativo, senha, biometria. Como perceberam que está tendo muita facilidade em obter essa vantagem, criminosos de outro tipo de crime estão adotando também o sequestro-relâmpago. Quando vão roubar uma residência, por exemplo, aproveitam para fazer um Pix”, acrescenta Severo. “Os casos (de sequestro-relâmpago) que atendi de dezembro (de 2020) a este mês, em grande parte, têm sido ocorrência de Pix ou ainda de maquininha de cartão. É um dos dois.”

Foi sabendo justamente da ocorrência de crimes do tipo que Chaves havia diminuído, poucos dias antes do roubo de seu celular, o limite de transferência dos aplicativos de banco que utiliza. Ainda assim, a medida adotada não foi suficiente para evitar que ele tivesse R$ 3,8 mil transferidos de um dos bancos em que tem conta e outros R$ 2 mil retirados de uma carteira digital de investimentos. “É uma sensação completamente aterrorizante”, contou o bancário ao Estadão.

Por mais que tivesse lido a respeito havia pouco tempo, Chaves explicou que, após ter sido roubado, não imaginava que o celular seria invadido e as transferências pudessem ser feitas em tão pouco tempo. “Os sequestros chamam mais atenção. Em roubos assim, achava que era mais difícil”, disse, relatando que só foi entender a dimensão do que havia acontecido quando chegou em casa e notou que a senha de seu e-mail havia sido alterada. “Pensei: ‘tem uma coisa muito errada. Não é só um roubo de aparelho’”, disse.

Após tomar as medidas necessárias e recuperar o número antigo de celular, Chaves relata que entrou em contato com as instituições financeiras das quais é cliente e não teve o dinheiro estornado. Segundo ele, o banco informou que não seria possível fazer a devolução do valor, mas ele pretende recorrer. Já a gestora da carteira digital ainda está analisando o pedido. “A mensagem que fica é de que não estamos seguros. Não atribuo o problema ao Pix, ele gera certa facilidade. Mas precisamos de mais camadas de segurança”, acrescentou o bancário.

Delegado de Polícia da 1ª Seccional de São Paulo, Roberto Monteiro explica que, especialmente na região central da capital paulista, os sequestros não são tão frequentes, mas sim os roubos. “O que temos aqui é mais a fraude a partir de celulares, que são levados para que pessoas que têm conhecimento técnico extraiam dados bancários desses aparelhos para que sejam aplicados golpes”, conta. Segundo ele, desde 2019, mais de 9 mil celulares foram apreendidos apenas pela delegacia em que trabalha.

“É uma modalidade (de roubo) que preocupa bastante, porque o Pix representa uma modernidade, mas que está sendo deturpada, já que também está servindo ao crime”, diz o delegado. Com o objetivo justamente de atacar esse problema, a Polícia Civil de São Paulo realizou na terça-feira, 23, a Operação Pen-Off e deteve quatro investigados por comercializar ilegalmente dispositivos de armazenamento que contêm “dados cadastrais de pessoas diversas”.

“Apreendemos também um programa que desbloqueia celulares, iCloud, aplicativos. O grande perigo não é só o valor agregado do celular, mas as informações que podem ser utilizadas para a aplicação de outros golpes”, explicou Monteiro. “Antes, era muito difícil invadir o sistema do celular. Agora, o que vemos é que já existem programas que facilitam o acesso, e o Pix acabou servindo a esse propósito criminoso."

Para o analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Guaracy Mingardi, “a polícia não está preparada” para ocorrências do tipo. “A área de investigação que lida com informática é muito pequena, não é tão poderosa assim”, destaca. “Demora um tempo para se adaptar a esse tipo de golpe, assim como demorou a se adaptar a sequestros. Os crimes vão acontecendo e a polícia vai correndo atrás.”

Em meio a isso, segundo Minguardi, é de suma importância que o Banco Central e as próprias instituições financeiras adotem medidas não só para implementar mais etapas de segurança, como para monitorar as contas para as quais as transações são feitas. “Se o sujeito prova que foi sequestrado, recebe o dinheiro de volta ou não? Tem de ter regras para isso."

Em nota, o Banco Central disse que “todas as operações com o Pix são 100% rastreáveis”, o que permite a identificação das contas recebedoras dos recursos, e que apenas 0,001% das transações via Pix apresenta suspeita de fraude, o que seria uma proporção “ínfima”. A instituição disse ainda que divulgou em junho as regras do chamado “mecanismo especial de devolução”, que passará a ter vigência em 16 de novembro. Em tese, ele padronizará as regras e procedimentos para viabilizar a devolução de valores nos casos em que existe “fundada suspeita de fraude.”

Por sua vez, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que, juntamente com seus bancos associados, está reforçando ações de comunicação para orientar clientes que sejam vítimas de crimes via Pix. Segundo a instituição, a recomendação é que o banco e a operadora de celular sejam imediatamente notificados, para bloqueio dos aplicativos, e que o boletim de ocorrência seja providenciado para investigação dos casos.

“Não há registro de violação da segurança desses aplicativos, os quais contam com o que existe de mais moderno no mundo para este assunto”, complementou a Febraban, alegando que um ponto que pode justificar as violações é que “muitos usuários anotam suas senhas de acesso ao banco em blocos de notas, e-mails, mensagens de Whatsapp ou em outros locais do celular.”

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que, desde janeiro até o momento, as "forças de segurança prenderam mais de 100 criminosos, identificaram outros 74 e apreenderam quatro menores de idade" envolvidos nessa modalidade. A Polícia Civil recomenda que o usuário da tecnologia (Pix) estabeleça um limite em sua conta junto ao banco. Caso tenha sido vítima, precisa reunir toda documentação da transação, como extratos e comprovantes, registrar um boletim de ocorrência em qualquer distrito policial ou na delegacia eletrônica, e cientificar o banco para eventual ressarcimento, após análise dos documentos.

Quadrilha usava OLX e fazia sequestros

Cinco suspeitos de integrar uma quadrilha que vinha sequestrando pessoas e as obrigando a fazer transferências via Pix foram presos no último dia 18 em Itaquaquecetuba (SP), em operação realizada pelo Ministério Público Estadual em parceria com a Polícia Militar. Em três meses, o grupo criminoso teria feito mais de 20 vítimas, roubando cerca de R$ 100 mil.

De acordo com a Promotoria, a quadrilha anunciava a venda de automóveis e motocicletas por meio do site OLX e fazia com que os interessados se deslocassem ao local indicado. As vítimas, então, eram rendidas e obrigadas a fazer transferências via Pix em altos valores, além de terem os celulares roubados.

“Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e houve bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de recuperar, ao menos em parte, os valores subtraídos das vítimas”, acrescentou o MP.

Em nota, a OLX informou que as negociações são feitas “sem a intermediação da plataforma”, diretamente entre vendedor e comprador. “A empresa está à disposição das autoridades para colaborar na apuração dos fatos”, disse, destacando que “investe constantemente em tecnologia e comunicação”.

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Baixada Santista e Interior têm onda de golpes com uso do Pix

Relatos de ocorrências multiplicaram nos últimos dias, inclusive com uso do WhatsApp

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 13h00

SOROCABA - A Baixada Santista vive uma onda de ocorrências de golpes com o uso da plataforma Pix de pagamentos instantâneos. Em Santos, a Polícia Civil investiga o caso de uma idosa de 78 anos que já perdeu mais de R$ 30 mil após ser vítima de um golpe. O prejuízo pode ser ainda maior, pois apareceram faturas de compras feitas pelos golpistas com uso de seus dados bancários. Os criminosos se passaram por funcionários de sua agência e informaram à mulher uma suposta tentativa de invadir sua conta bancária. A aposentada foi convencida de que precisaria mudar a senha e adotar outras medidas de segurança.

A idosa procurou a agência bancária e recebeu a confirmação de que, de fato, houve uma tentativa de acesso à sua conta em 17 de julho. Assim que saiu do banco, a suposta funcionária voltou a falar com ela pelo celular e a orientou sobre como proceder para recadastrar o Pix. A aposentada descobriu que tinha caído em um golpe quando tentou usar o cartão para pagar a compra de remédios em uma farmácia e estava sem saldo.

Quando abriu o aplicativo, ela viu que havia sido feita uma transferência de R$ 24,7 mil para outra conta, via Pix. Os criminosos também usaram cerca de R$ 6 mil de seu saldo do cheque especial. Ela acredita que a falsa bancária obteve informações para acessar outros serviços de sua conta, pois já recebeu faturas referentes a compras que não fez. A aposentada entrou com reclamação junto ao banco e ainda aguarda a decisão. O caso está sendo investigado pelo 3º Distrito da Polícia Civil de Santos.

No último dia 14, uma mulher de 54 anos teve o celular roubado em Guarujá e bandidos fizeram diversas transferências via Pix que totalizaram R$ 8,8 mil. A vítima foi abordada por dois criminosos que estavam em uma bicicleta. No dia seguinte, ela se dirigiu a um caixa eletrônico e constatou que os criminosos realizaram quatro operações via Pix e ainda fizeram o pagamento de um título, totalizando um desvio de R$ 8,8 mil. O caso foi registrado na delegacia do município de Guarujá.

Já no último dia 4, uma mulher de 53 anos, moradora de Praia Grande, teve um prejuízo de R$ 4 mil ao transferir, via Pix, o dinheiro para criminosos que se passaram por seu filho. Os golpistas clonaram o WhatsApp do filho e pediram que ela transferisse o dinheiro, pois estava com problema em seu aplicativo do banco. A vítima só desconfiou do golpe e procurou a polícia quando os bandidos pediram uma nova transferência em valor ainda maior. Um mês antes, outro morador da cidade do litoral tinha transferido pelo aplicativo R$ 9,1 mil para um primo que, supostamente, teria sofrido um acidente de carro.

Interior

Em Sorocaba, uma jovem de 24 anos foi vítima de golpe após anunciar na internet o desaparecimento de um gato de estimação. Uma mulher entrou em contato, disse que sabia onde estava o animal e pediu R$ 100 para fazer o resgate do felino da casa em que era mantido em cativeiro. A jovem fez a transferência, mas a pessoa voltou a fazer contato dizendo que o homem só o entregaria se recebesse mais R$ 100 mil. Ela fez novo pagamento por Pix e, logo após, a pessoa bloqueou o contato. O número usado para o golpe era do Rio de Janeiro e a chave Pix era de um e-mail falso.

O mesmo golpe foi aplicado em várias cidades do interior. Em Araraquara, um homem de 27 anos recebeu uma mensagem de celular da irmã dizendo que precisava fazer alguns pagamentos e seu Pix não estava funcionando. Ele não teve dúvida em fazer quatro transferências que totalizaram R$ 5,8 mil. O WhatsApp dela estava clonado. Em Indaiatuba, uma empresária caiu no golpe do cartão de crédito com desconto. Ela recebeu uma mensagem via SMS para aderir ao pagamento da fatura via Pix, com desconto de 40%. O site para o qual havia sido direcionado para pagar a conta era falso.

Golpes

Entre os meios usados pelos bandidos está o WhatsApp. Os criminosos enviam uma mensagem pelo aplicativo fingindo ser de empresas em que a vítima tem cadastro. Eles solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de atualização ou confirmação de cadastro. Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhastApp em outro celular e enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo se passar por elas e pedindo transferência de dinheiro via Pix.

Em outra fraude, o criminoso escolhe uma vítima, pega sua foto em redes sociais e manda mensagens para amigos e familiares, alegando que teve de trocar o número devido a algum problema, como um assalto. A partir daí, pede transferência via Pix, dizendo estar em alguma situação de emergência. Outros golpes são os do falso bancário e falsas centrais telefônicas de bancos. Passando-se por funcionário da agência, o criminoso oferece ajuda para que o cliente cadastre a chave Pix, ou ainda diz que o usuário precisa testar o sistema de pagamentos instantâneos para regularizar o cadastro e o induz a fazer transferências.

Mais de cem criminosos foram presos, diz secretaria

A Secretaria da Segurança Pública informou que, de janeiro a julho deste ano, foram registrados 206 boletins de ocorrência de sequestro relâmpago no estado de São Paulo, um aumento de 39,1% em relação ao ano passado, quando foram 148. No sequestro relâmpago, as vítimas são levadas em seus próprios carros ou nos veículos dos criminosos e obrigadas a fazer transferências, via Pix, para as contas dos suspeitos. A vítima só é liberada depois que o dinheiro é sacado pelos bandidos. A pasta não tem de forma discriminada nas estatísticas criminais os casos de estelionato (crime não violento, como a clonagem de WhatsApp) aplicados com o uso do Pix.  

Conforme a SSP, de janeiro até esta quarta-feira, 25, as forças de segurança prenderam mais de 100 criminosos, identificaram outros 74 e apreenderam quatro menores de idade envolvidos com a modalidade criminosa do sequestro relâmpago. A Polícia Civil recomenda que o usuário da tecnologia (Pix) estabeleça um limite em sua conta junto ao banco. Caso tenha sido vítima, precisa reunir toda documentação da transação, como extratos e comprovantes, registrar um boletim de ocorrência em qualquer distrito policial ou na delegacia eletrônica, e cientificar o banco para eventual ressarcimento, após análise dos documentos.

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Golpe do Pix: veja dicas para se proteger de crimes

Com o aumento da ação de bandidos envolvendo a solução de pagamento instantâneo, 'Estadão' traz lista de orientações de especialistas em segurança

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 16h04

SÃO PAULO - Desde que o Pix, solução de pagamento instantâneo do Banco Central, foi implementado em novembro de 2020, ele passou a facilitar uma série de transferências bancárias no País. O que não era previsto de acontecer em tão pouco tempo, no entanto, era o aumento de ações criminosas feitas após o roubo de celulares ou até mesmo coação em sequestros-relâmpago.

Além de ocorrências desse tipo, há casos de pessoas que se passam por outros indivíduos, normalmente em conversas de WhatsApp, para receber transferências pelo Pix. Como o pagamento cai de forma instantânea, isso dificulta com que a vítima, mesmo sabendo do golpe minutos depois, desfaça a transação.

“Os golpistas acabam utilizando o Pix dada a notoriedade do meio de pagamento, mas a sistemática de golpe já é antiga, ocorrendo nos instrumentos de transferência mais tradicionais, como TED, e em outros meios de pagamentos, como cartões de crédito e débito”, informou o Banco Central.

Com o aumento das ocorrências de crimes utilizando Pix, o Estadão preparou uma série de dicas para se proteger em relação aos golpes envolvendo Pix. Confira abaixo:

Revise e configure o limite de seu Pix

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alerta que, desde abril, o usuário pode controlar seu limite no sistema de pagamento instantâneo, reduzindo ou aumentando o valor disponível para realizar transações. A medida é importante para auxiliar o cliente na gestão e controle de transações no Pix, mitigando danos.

Delegado da divisão antissequestro do Departamento de Operações Especiais de Polícia (Dope), Tarcio Severo reforça que a orientação é que os usuários de aplicativos de celular estabeleçam um limite não só para o Pix, mas para toda a conta bancária, principalmente em transações no período noturno. “O Pix está embutido dentro da conta. Mesmo que o ladrão veja que tem um limite nele, pode tentar por outras vias se o limite da conta for maior”, explica.

Não utilize a senha do banco em outros aplicativos

Outro ponto é que a senha do aplicativo de banco deve ser exclusivamente usada para acessar a instituição financeira, recomendam especialistas. Até para facilitar a memorização, alguns usuários costumam repetir a senha em outros aplicativos, mas isso pode facilitar a ação de criminosos, principalmente em casos em que o recurso de “lembrar/salvar senha” é utilizado em navegadores e sites.

Não anote senhas dentro do celular

Para além dos recursos de “lembrar/salvar senha”, outra prática frequente é a de adotar senhas em aplicativos do celular, para acessá-los sempre que houver esquecimento. Mas isso não é recomendado. "Jamais anote senhas de acesso ao banco em blocos de notas, e-mails, mensagens de WhatsApp ou outros locais em seu celular”, reforça a Febraban.

Utilize o bloqueio da tela de início do celular

Recorrer ao recurso de bloqueio da tela de início do celular pode ser útil senão para evitar que as transações via Pix aconteçam, para retardar a ação de criminosos. Desse modo, ganha-se mais tempo para acionar o banco e bloquear aplicativos de forma remota. “A maioria dos golpes envolvem engenharia social, ou seja, se aproveitam da vulnerabilidade do usuário para obter informações pessoais e financeiras”, explicou o Banco Central.

Desconfie de números desconhecidos

Ao receber mensagens ou ligações, é fundamental desconfiar de contatos desconhecidos, principalmente em casos em que uma transferência de dinheiro é solicitada de forma emergencial. Em caso de dúvida, é recomendado ainda ligar para o número antigo da pessoa pela qual o golpista pode estar se passando ou até pedir ajuda de conhecidos sobre a situação.

Não reaja a abordagens de criminosos

Segundo o analista criminal e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) Guaracy Mingardi, por mais que seja difícil prever um roubo ou sequestro-relâmpago, é indicado não reagir a abordagens de criminosos. A reação, explica, pode atentar contra a própria vida da vítima, principalmente em casos envolvendo pessoas armadas.

Notifique imediatamente seu banco

A partir do momento em que o celular é roubado ou que o golpe por Pix é consolidado, deve-se notificar imediatamente o banco do qual o dinheiro foi transferido. Desse modo, podem ser tomadas medidas adicionais, especialmente de bloqueio do app do banco e senha de acesso. A depender do caso, além disso, o banco pode acabar retendo a transferência.

De acordo com Roberto Monteiro, delegado de polícia da 1ª Seccional do Centro de São Paulo, há caminhos distintos depois que os roubos utilizando Pix são notificados na delegacia. “O que se percebe é que alguns bancos devolvem o valor, mas outros, não”, disse.

O Banco Central informou que em junho foram divulgadas as regras do “mecanismo especial de devolução”, que entrará em vigor em 16 de novembro. Em tese, ele padronizará as regras e procedimentos para viabilizar a devolução de valores nos casos em que exista fundada suspeita de fraude.

Avise também a operadora de celular

Outro passo complementar é, em caso de roubo ou furto de aparelho celular, avisar a operadora. Assim, pode-se providenciar o bloqueio imediato da linha, evitando que criminosos entrem em contato com outras pessoas por meio do celular e apliquem mais golpes.

Registre um boletim de ocorrência

É fundamental, além disso, registrar boletim de ocorrência junto às autoridades policiais, ação fundamental que dá visibilidade ao crime, ajuda nas investigações policiais e permite, posteriormente, a identificação e as prisões de quadrilhas de criminosos.

“Por seu desenho tecnológico, todas as operações com o Pix são 100% rastreáveis, o que permite a identificação das contas recebedoras de recursos produtos de golpe/crime”, informou o Banco Central. Desse modo, a notificação das autoridades permite a ação “mais incisiva da polícia e da Justiça, o que não acontece com saques em caixas eletrônicos, por exemplo”.

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