Goleiro viu morte de Eliza e cogitou assassinar bebê

É o que contou outro primo preso em Minas; segundo ele, modelo sofreu 'torturas monstruosas' e achava que do sítio seria levada a BH

Eduardo Kattah e Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

A investigação da polícia mineira pôs ontem o goleiro Bruno Fernandes, de 25 anos, na cena do cárcere e do homicídio de Eliza Samudio, também de 25. O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos - apontado como autor da execução e responsável por ocultar o corpo da ex-amante do goleiro - foi preso ontem.

O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação (DI), confirmou os indícios de crime premeditado. Segundo ele, em depoimento de cinco horas e meia, o primo do jogador Sérgio Rosa Salles Camelo relatou "torturas monstruosas" contra Eliza e disse que os agressores também pensaram em matar o bebê, suposto filho do goleiro. Bruno teria se arrependido na última hora. "Tanto que a criança foi levada ao local de execução", disse Moreira.

Por ordem da Justiça, o goleiro e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foram transferidos de avião para Belo Horizonte. Aos gritos de "assassino", uma multidão esperava Bruno, por volta das 23h30, na entrada do Departamento de Investigações, onde ambos ficaram presos.

O cruzamento dos depoimentos dos dois primos de Bruno - J., de 17 anos, e Sérgio, de 22 - provam, segundo a polícia, que o jogador esteve em seu sítio em Esmeraldas (MG) entre 6 e 10 de junho. Eliza foi mantida em cativeiro no período e morta no dia 9. Bruno também estaria no local onde Eliza foi morta, numa casa na vizinha Vespasiano.

A apuração mostra que, para evitar que gritos de Eliza fossem ouvidos por vizinhos, uma caixa de som foi instalada no quarto onde ela ficava trancada. E que ela saiu do sítio achando que seria levada a um apartamento em Belo Horizonte. Em vez disso, foi para a casa em Vespasiano. Antes de ser morta, teria dito que não aguentava mais apanhar. A resposta do ex-policial foi cruel: "Você não vai mais apanhar. Você vai morrer."

Eliza chegou à casa no banco de trás de um EcoSport com J. e Macarrão. Bruno teria encontrado o grupo no meio do caminho. O atleta deixou o sítio em um Uno guiado por Flávio de Araújo. Na casa de Souza, Eliza foi sentada em uma cadeira e teve os pés e as mãos amarrados. "O adolescente contou que presenciou Eliza ser morta por asfixia mecânica", afirma o delegado Wagner Pinto. O assassino chegou a jogar a mão da vítima para um rottweiler comer. "O garoto nos descreveu o crime com riqueza de detalhes impressionante."

O advogado de Sérgio, Marco Antônio Siqueira, diz que seu cliente ficou "aturdido" com o que viu e é inocente. "Ele não é autor, não é executor e não é partícipe do crime." Ércio Quaresma, advogado de Dayanne Souza, Macarrão e outros três suspeitos, assumiu a defesa de Bruno.

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