Gol promete pôr passageiro em 10 minutos no avião

Sistema em teste em Congonhas visa a evitar atrasos e, na próxima semana, será implementado no País; hoje, tempo é de 18 minutos

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h04

Para evitar longas e confusas filas nos portões e atrasos nos voos, a Gol vai mudar o procedimento de embarque nos aeroportos de todo o País na próxima semana. A ideia da companhia aérea que responde por 36% do mercado brasileiro é acomodar os passageiros no avião em apenas dez minutos. Segundo a empresa, hoje o tempo de embarque chega a 18 minutos.

Testes foram realizados durante as últimas semanas no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para acelerar o procedimento. A estratégia da Gol atualmente é embarcar os passageiros de trás para frente - aqueles com assento marcado do meio para o fundo da aeronave entram primeiro. Invariavelmente, o método cria filas dentro e fora do avião porque sempre há alguém parado à espera de um passageiro se acomodar.

Agora, a companhia quer adotar o embarque por quatro grupos (de A a D) e organizá-los fazendo uma combinação de assentos, de forma que os da janela sentem primeiro, depois os do meio e, por fim, os passageiros com poltrona no corredor.

Também existe a possibilidade de continuar com o sistema back to front, como é chamado no jargão do setor, mas combiná-lo com o novo sistema janela-meio-corredor. Prevalecerá a maneira mais rápida.

"A organização do embarque por fileiras causa um tremendo desconforto para o cliente. A ideia é criar apenas duas filas. Uma para o cliente preferencial, como idosos e gestantes, e outra que vai sendo formada por grupos. Até o anúncio por parte do agente aeroportuário é mais fácil", diz André Lima, diretor de Aeroportos da Gol.

Tempo. O procedimento é uma das últimas etapas do projeto Fast Travel (viagem rápida) em implementação pela Gol. A iniciativa envolve também o check-in eletrônico, feito por internet, totem ou celular, e o embarque sem papel, com o cartão de embarque no smartphone.

Segundo a Gol, uma aeronave fica em solo hoje por 40 minutos nos quatro maiores aeroportos do País (Guarulhos, Congonhas, Galeão e Brasília) e metade desse tempo é gasto com o procedimento de embarque. "Por questões operacionais e de segurança, não tem como ser mais rápido do que isso, 40 minutos de solo nos aeroportos mais movimentados e 30 minutos nos demais. Às vezes, ficamos acima do tempo previsto, mas, por problemas de infraestrutura aeroportuária e limitações no controle de tráfego, temos de esperar autorizar a decolagem", diz Lima.

Além do embarque, o restante do tempo em solo é usado para limpeza da cabine, abastecimento e checagem de procedimentos de segurança.

Para os passageiros, a espera é maçante. "Pedem para a gente chegar cedo ao portão, anunciam 'embarque imediato' e demoram mais 20 minutos para chamar todo mundo. Aí, não tem como não atrasar", diz a consultora financeira Viviane Salles, de 38 anos, que mora em São Paulo, mas viaja a cada 15 dias a trabalho.

Mala de mão. Para Lima, uma das coisas que mais emperram o embarque é a mala de mão. "Quando levam bagagem maior que o permitido, que não entra no compartimento, é mais um transtorno. Por isso, medimos as malas antes do embarque."

Um estudo da Boeing divulgado no ano passado mostra que, dos anos 1970 até hoje, o tempo de embarque em voos domésticos nos Estados Unidos mais que dobrou. Saltou de 15 minutos para 30 a 40 minutos. Um dos motivos é que os passageiros levam mais bagagem de mão, uma vez que companhias aéreas americanas costumam cobrar por mala despachada.

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