Gol: acidente completa 4 anos e famílias pedem que pilotos parem de voar

Associação lançou campanha e abaixo-assinado já conta com 35 mil assinaturas; American Airlines e Excel Aire empregam pilotos do Legacy que colidiu com voo 1907

Diana Dantas, Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 lançou, há cerca de 1 mês, a campanha 190 Milhões de Vítimas, que tem por objetivo pressionar a American Airlines e a Excel Aire, empresas que empregam os pilotos Jan Paul Paladino e Joseph Lepore. Eles conduziam o jato Legacy que se chocou com o Boeing 737 da Gol há exatos 4 anos, matando todas as 154 pessoas a bordo. O abaixo-assinado já conta com mais de 35 mil assinaturas.

"Não se brinca com a vida. As companhias aéreas também têm de se responsabilizar. Como uma das maiores empresas do ramo (American Airlines) emprega um piloto que responde por crimes no Brasil?", afirma a presidente da associação, Angelita De Marchi.

Em 2009, a Federal Aviation Administration (FAA), órgão americano que regulamenta a aviação civil, negou o pedido de cassação das licenças dos pilotos americanos, feito por deputados federais brasileiros. Lepore e Paladino continuam voando normalmente.

Falhas. O advogado de defesa dos pilotos no Brasil, Theo Dias, considera legítimo o movimento, mas acredita que apenas culpar os americanos é uma decisão equivocada.

"Tanto as investigações do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e da NTSB (a sigla em inglês para Agência Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos) evidenciam as inúmeras falhas do controle aéreo brasileiro nesse caso", afirma o advogado.

Atualmente, dois processos criminais contra os pilotos do jato Legacy e os controladores de voo correm na Justiça federal e estão nas fase final de produção de provas. A próxima etapa é o interrogatório com os réus e, depois, as sentenças.

Indenizações. Até agora, 4 anos após a tragédia, a Gol já indenizou 145 das 154 famílias das vítimas. Os acordos - cujos valores não foram divulgados pela companhia - preveem que as famílias se comprometam a não entrar com nenhum tipo de processo contra possíveis culpados pela tragédia.

Até ontem, não havia nenhuma homenagem para as vítimas do acidente programada pela empresa para hoje.

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