Gisele vira manequim de vitrine no Iguatemi

Cerca de 200 pessoas se amontoaram debaixo de chuva para ver sete minutos de pose da top na C&A; do lado de dentro, modelo dava tchauzinho, fazia 'V' com os dedos e sorria para a multidão encharcada

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

Gisele Bündchen agora é modelo e manequim. Seu debute em uma vitrine foi ontem, posando com dois looks na C&A do Shopping Iguatemi, zona sul de São Paulo.

Marcaram a "ação" em um horário quebrado: 10h20. Gisele apareceu com sete minutos de atraso, por trás de um biombo de couro preto com moldura dourada. "Sabíamos que ela chegaria às 10h e calculamos 20 minutos para a maquiagem", diz a assessora. O problema, explica, é que ela ainda parou para cumprimentar as funcionárias da loja. Fofa.

Cerca de 200 pessoas se empurravam para gritar "Gisele!", declarar em voz alta "eu te amo!" e tomar chuva. A vitrine dá para uma calçada pública, na Avenida Faria Lima, mas a loja de departamentos achou por bem montar um cercadinho, reservá-lo para repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, e ainda pedir credencial.

"É um absurdo, eles fazem a maior divulgação na imprensa, a gente vem e não vê nada. Estou me sentindo uma trouxa", esbravejou a "personal chef" Sonia Magalhães Silveira, de 57 anos, que disse morar em Santo André e ter acordado às 4h30 para conseguir chegar na hora.

De acordo com os organizadores, a aparição da manequim duraria 15 minutos, mas ela fez seu último "V" com os dedos em menos de 8. "Olha essa mulher, gente!", disse o cabeleireiro Marcelo Martins, de 24 anos, montado no cercadinho de ferro.

Segundo Marcelo, que pagou R$ 32 de táxi com medo de chegar atrasado, Gisele tinge os cabelos com uma mistura de "número 73, louro natural e ultraclaro". Ele usa nos dele apenas "louro platinado".

O temporal desabou exatamente na hora em que a modelo apareceu com o primeiro look, um short de viscose, uma blusa de malha e um blazer idem. Para acompanhar a ação, tocaram uma versão de Anything you Want (Roy Orbison), cantada por Sandra Honda. A música prega "Anything you want, you got it" (Qualquer coisa que você quiser, vai ter). Tudo a ver.

Lá dentro, a manequim dava tchauzinhos, enquanto sorria para a multidão encharcada. Alguns tentavam alcançar o vidro com as mãos, como se fosse um aquário. Ela saiu e voltou com o segundo look, um macacão. Mais um minuto e pouco.

Canja. Fim da ação. Insatisfeita, a audiência foi para dentro do shopping, onde fica a porta da loja, esperando uma "canja". Gisele apareceu de novo, mais tchauzinhos.

"Como a gente faz para chegar perto dela e tirar uma foto?", perguntava o empresário Flávio Bocheni, de 43 anos, como se tivesse 12. Ele garante que "Gisele é um anjo que mora dentro de mim". Claro, claro. A estudante Francini Souza, de 20 anos, explica que chegou atrasada por causa do amigo Davi Wallace, de 18, que "faz moda" e usa uma bolsa dela. "Até "ela" acabar a maquiagem, se produzir "toda"...", queixa-se Francini, que não se conforma de ter perdido a aparição de Gisele.

Muitos não tinham ideia do que estava acontecendo. O cardiologista Caio (ele pediu para suprimir o sobrenome), de 41 anos, diz que foi ao shopping "escondido do pessoal do trabalho". "A Gisele Bündchen está aí? Ela existe, então? Você viu? E aí, bonita?" E a pergunta que não quer calar: "Quanto será que ela levou nessa?"

A assessoria não revela quanto vale um minuto-Gisele. A gente entende: she got it.

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