Paulo Liebert/AE
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Gilberto Kassab deixa a Prefeitura com a pior avaliação desde Celso Pitta

42% dos paulistanos consideram gestão de prefeito do PSD ruim ou péssima

José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo,

22 de dezembro de 2012 | 21h31

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), termina seu segundo mandato com saldo negativo de 15 pontos porcentuais. É o que mostra pesquisa Ibope divulgada com exclusividade pelo Estado. Para 42% dos paulistanos, a gestão de Kassab foi ruim ou péssima. Apenas 27% avaliam que seu governo foi bom ou ótimo.

O prefeito e fundador do PSD chega ao fim do segundo mandato (2009-2012) em situação oposta à que concluiu o seu primeiro termo na Prefeitura de São Paulo (2006-2008). Em outubro de 2008, Kassab tinha saldo positivo de 40 pontos: 54% avaliavam sua gestão como boa/ótima e apenas 14% a consideravam ruim/péssima. Foi a melhor avaliação final de um prefeito paulistano em duas décadas.

Agora, protagoniza o pior fim de mandato de um prefeito paulistano desde o governo Celso Pitta (1997-2000), que concluiu sua gestão com 74 pontos negativos de saldo. As administrações de Paulo Maluf (1993-1996) e Marta Suplicy (2001-2004) chegaram ao fim com saldo mais positivo do que o segundo governo Kassab: 14 e 32 pontos positivos, respectivamente.

A grande diferença entre o primeiro e o segundo mandatos de Kassab ficou evidente nas duas últimas eleições. Em 2008, a imagem do prefeito melhorou ao longo da campanha. Naquela disputa, a propaganda de TV reverteu opiniões negativas, reforçou as positivas e o levou à reeleição. Em 2012, a campanha eleitoral só evidenciou os problemas de seu governo.

No começo de maio, 39% dos paulistanos achavam a gestão Kassab ruim ou péssima – taxa equivalente à dos que a classificavam como regular. No fim de outubro, às vésperas do segundo turno da eleição, 48% dos eleitores já reprovavam seu governo e a taxa de regular caíra para 30%.

Isso aconteceu porque todos os candidatos a prefeito, com exceção de José Serra (PSDB), transformaram Kassab em alvo preferencial. Passado o embate eleitoral, a avaliação do prefeito até melhorou um pouco. Sua taxa de bom e ótimo subiu de 19% para 27%, o ruim/péssimo caiu de 47% para 42% e o déficit de popularidade ficou menor: de 28 foi para 15 pontos negativos.

Confiança. Apesar da pequena reação pós-eleitoral, dois em cada três eleitores da cidade dizem não confiar em Kassab. E 60% desaprovam o que ele fez à frente da Prefeitura.

Instados a dizer o que mais melhorou na gestão que acaba em uma semana, 33% dos paulistanos responderam "nada". O item mais lembrado como um dos que evoluíram positivamente foi limpeza pública. Mesmo assim, com só 18% de citações. A seguir, vêm calçamento de ruas e avenidas (13%), atividades culturais (11%) e iluminação (9%).

As respostas atingem taxas muito mais altas quando a pergunta é o inverso. Para praticamente metade dos moradores, a saúde piorou (47%). Segurança pública (31%), educação (28%), trânsito (24%) e transporte público (22%) completam o quinteto das coisas que mais pioraram na cidade sob Kassab aos olhos dos paulistanos.

Não foi só a campanha eleitoral que levou o prefeito do céu ao inferno da opinião pública. O descontentamento está em todas as regiões. Embora o saldo de avaliação seja negativo em praticamente todos os estratos sociais, ele é ainda mais impopular na periferia e entre jovens.

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