Gil Rugai se matricula em faculdade. Mas volta atrás

Condenado na sexta a mais de 33 anos de prisão pela morte do pai e da madrasta, ele teria de ter comunicado Justiça

O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h04

Após ser admitido na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Gil Rugai, de 29 anos, cancelou ontem sua matrícula no curso de Biomedicina, sem ter aparecido na instituição de ensino - considerada uma das melhores do País na área da saúde. Na sexta-feira, ele foi condenado a 33 anos e nove meses de prisão, em júri no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, pelo assassinato de seu pai, Luiz Carlos Rugai, e da madrasta Alessandra Troitino, em 2004. Como vai recorrer em liberdade, está apto a frequentar aulas.

Gil Rugai ingressou na UFCSPA pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), único critério de admissão da instituição. A universidade confirmou que ele fez a matrícula, mas que não compareceu ao início das aulas, na segunda-feira. Ontem, Rugai comunicou sua desistência por e-mail.

A vaga será destinada a um dos candidatos da lista de espera para ingresso na UFCSPA.

O advogado de defesa, Marcelo Feller, foi pego de surpresa na manhã de ontem com a divulgação da notícia a respeito da matrícula. "Nós não estamos sabendo", disse. Feller explicou, no entanto, que Rugai teria o direito de cursar a faculdade enquanto aguarda o recurso. Haveria a necessidade, no entanto, de que ele pedisse autorização da Justiça para morar em outra cidade. No caso, Porto Alegre. "A autorização da Justiça seria necessária por causa da localização do curso. Mas ele pode estudar, se quiser", disse Feller.

Autorização. Rugai já cursou Teologia, Letras, Direito e Matemática, mas não concluiu nenhum desses cursos. Em 2008, chegou a se mudar para Santa Maria, onde tentou vestibular para Medicina. À época, como não havia comunicado a mudança para a Justiça, acabou sendo preso.

A defesa pretende pedir a anulação do julgamento que condenou Rugai pelo duplo assassinato. Os advogados acreditam que os jurados não decidiram com base em provas apresentadas no julgamento. / ELDER OGLIARI e BRUNO PAES MANSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.