Gil Rugai é preso após mudar de cidade sem avisar a Justiça

Ex-seminarista é acusado de matar o pai e a madrasta a tiros em Perdizes, em 2004, e ficou dois anos preso

Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2008 | 17h17

O ex-seminarista Gil Rugai, de 25 anos, foi preso na tarde desta terça-feira, 9, após o Ministério Público Estadual (MPE) pedir a revogação de sua liberdade provisória. Gil Rugai foi preso na casa da mãe dele, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Após a prisão, ele seria encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) central de São Paulo. Gil Rugai é acusado de matar o pai, o publicitário Luiz Carlos Rugai, e sua madrasta, Alessandra de Fátima Troitiño. Os dois foram mortos a tiros em 2004 em Perdizes, na zona oeste de São Paulo.   Gil Rugai foi preso por policiais da 1ª Seccional, no centro de São Paulo. Ele foi levado até a seccional e depois seria encaminhado ao IML e em seguida para o 13º Distrito de Polícia, da Casa Verde, na zona norte. A prisão preventiva de Gil Rugai foi decretada pelo juiz Luiz Rogério Monteiro de Oliveira, da 5ª Vara do Júri Central.   O MPE alegou que ele mudou de endereço e de Estado sem informar à Justiça. Reportagem do Domingo Espetacular, da Rede Record, mostrou que Rugai estava morando em Santa Maria (RS). A defesa de Rugiu reagiu, negou a mudança de endereço, providenciou a volta do estudante a São Paulo e ainda criticou a promotoria, mas não conseguiu evitar a prisão.   Rugai está em liberdade desde 2006, quando foi solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), após passar dois anos preso. Ao ser posto em liberdade, ele informou à Justiça que seu endereço era em São Paulo, na casa de sua mãe. "A reportagem mostrou que Gil Rugai viveu no ano passado no Rio de Janeiro e agora no Rio Grande do Sul, mas ele não poderia ter mudado de residência sem dar ciência à Justiça", disse a promotora Mildred de Assis Gonzalez.   Para ela, Gil Rugai burlou a confiança que a Justiça depositou nele ao revogar sua prisão. "Em um crime como esse e com a repercussão que teve, jamais ele (Rugai) poderia ter sido colocado em liberdade."   Depois do pedido do MPE, a defesa de Rugai entregou à 5ª Vara do Júri uma petição. Nela, o advogado Fernando José da Costa fez dois pedidos. O primeiro é para que o juiz decrete sigilo no processo. Segundo ele, a medida é necessária para que Rugai refaça sua vida. "Ele estava no Rio Grande do Sul tentando recuperar o tempo perdido. Estudava para prestar vestibular para Medicina, mas mantinha também seu endereço aqui, na casa de seus familiares."   O segundo pedido, afirmou Costa, é para que "a Justiça reconheça o direito à presunção de inocência de Rugai". Segundo ele, ter dois endereços residenciais não cria uma situação de obstrução da Justiça. "A defesa gostaria que a promotora mostrasse o dispositivo legal que obriga um acusado em liberdade a não poder sair do distrito da culpa. Do contrário, a promotora devia voltar a estudar Direito." A promotora disse que seu pedido tem por base a jurisprudência dos tribunais. Por fim, o advogado disse que "foi obrigado" a pedir a Rugai que volte a São Paulo, para aguardar a decisão do juiz.   Cronologia   29 de março de 2004 - Um dia após o empresário Luiz Carlos Rugai e a mulher, Alessandra Fátima Troitiño, serem encontrados mortos na casa da Rua Atibaia, em Perdizes, onde moravam e tinham uma produtora de vídeo, o vigia da rua diz ter visto Gil Rugai, filho de Luiz Carlos, saindo da casa na noite do crime, na companhia de outra pessoa;   30 de março de 2004 - A polícia descobre que a produtora sofreu desfalque de R$ 100 mil um mês antes do crime. Gil trabalhava na contabilidade;   4 de abril de 2004 - Perícia encontra cartucho disparado pela mesma arma usada nos assassinatos no quarto do estudante na casa do pai. No dia seguinte, é confirmado o desfalque de R$ 100 mil dado por Gil;   6 de abril de 2004 - O estudante se entrega e nega o crime. No dia 29, a Justiça acolhe denúncia do Ministério Público contra Gil;   21 de maio de 2004 - Laudo constata que a pegada do estudante é compatível com a encontrada em uma porta arrombada na casa do pai;   25 de junho de 2005 - Pistola semi-automática calibre 380 é encontrada na tubulação do prédio onde Gil mantinha sua produtora;   6 de julho de 2005 - Perícia conclui que a pistola é a mesma usada para matar Luiz Carlos e Alessandra;   9 de agosto de 2005 - Rugai tem liminar negada em dois habeas-corpus pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram negados o trancamento da ação penal a que o estudante responde na Justiça e a revogação de sua prisão preventiva;   15 de setembro de 2005 - Juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri, anuncia que Gil Rugai vai a júri popular. A data do julgamento ainda não foi marcada;   18 de abril de 2006 - Após dois anos e 13 dias preso, o estudante Gil Rugai, de 22 anos, obtém habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal para aguardar seu julgamento em liberdade;   19 de abril de 2006 - Gil Rugai sai do Centro de Detenção Provisória (CDP) e aguarda o julgamento em liberdade provisória;   9 de maio de 2006 - A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça nega recurso da defesa de Gil Rugai e decide que ele vai a júri popular. No entanto, a data do julgamento não é definida.   Texto ampliado às 17h47 para acréscimo de informações.

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