Ghetz: uma grife sem loja, mas com o talento de Lucas Nascimento

O que faz uma marca que não tem loja nem ponto de venda merecer crédito do evento de moda mais importante do Brasil? Essa é a pergunta que circulou ontem na São Paulo Fashion Week em relação à desconhecida Ghetz, que até outro dia era apenas uma fábrica de tricô localizada em Socorro (SP). Com faturamento de US$ 4 milhões ao ano, a Ghetz resolveu se reposicionar no mercado. E de alguma maneira chegou a uma boa negociação com o evento, a ponto de participar de seu line-up.

LILIAN PACCE, contato@lilianpacce.com.br, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

O lado bom é que o estilista Lucas Nascimento faz parte do pacote. O lado ruim é que o contrato, por enquanto, é para esta única temporada. Lucas é de Mato Grosso e vive em Londres, onde estudou moda e se especializou em tricô. Seu primeiro desfile foi em janeiro de 2010 no Fashion Rio. Lucas, que já havia feito colaborações para outras marcas, logo se revelou um grande talento. Ele foi procurado pelo evento com a proposta da Ghetz. A Ghetz produziu a ótima coleção de outono-inverno 2011 da marca de Lucas, desfilada 15 dias atrás no Rio. E agora Lucas assina a coleção da própria Ghetz.

Mas se a SPFW é a principal vitrine da moda brasileira por que a Ghetz faz parte do line-up e não o próprio Lucas? Não sei a resposta. O fato é que ele consegue vocabulário próprio em cada uma das grifes. Nesta, os tricôs têm efeito tridimensional, em três tons diferentes, seja em micropersianas ou microfavos. É uma silhueta ajustada, mais próxima do gosto da brasileira. E tem até um quê intelectualizado nas calças plissadas com chinelo e meia. O resultado é coeso e forte. Só não sabemos onde essas roupas vão parar, já que a Ghetz ainda não tem loja.

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