TIAGO QUEIROZ
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Gestão Haddad paralisa produção de mudas de árvores em viveiros

Após fim de contrato com terceirizada, três espaços estão parados; estoque do Manequinho Lopes cai a 8,1% da capacidade anual

Felipe Resk, Tiago Queiroz, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo não produz uma única muda há seis meses. Responsáveis por fornecer 1,5 milhão de plantas e arbustos e 90 mil árvores por ano, os três viveiros estão parados desde fevereiro, quando foi encerrado o contrato com a empresa que administrava os espaços. No período, o estoque do Manequinho Lopes, no Parque do Ibirapuera, na zona sul, caiu a 8,1% da capacidade anual do espaço, de 900 mil mudas. A gestão Fernando Haddad (PT) afirma que uma nova licitação está em elaboração.

Além da precariedade no Manequinho Lopes, faltam jardineiros, auxiliares e encarregados nos Viveiros Arthur Etzel, na zona leste, e Harry Blossfeld, em Cotia, na Grande São Paulo. Os funcionários eram de uma empresa terceirizada, que não renovou o contrato por já ter atingido o limite permitido de cinco anos de prestação de serviços para a Prefeitura. “A produção está parada, mas nós temos o estoque de tudo que foi produzido no ano anterior”, diz Renata Iride Longo, diretora da Divisão Técnica de Produção e Arborização (Depave-2), da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

Segundo a gestora, o fornecimento de mudas é mantido para praças, parques, canteiros centrais, equipamentos públicos e até para os cidadãos, mas algumas espécies já estão em falta. Um dos motivos é justamente a ausência de reposição dos estoques, além de questões naturais, como a estação do ano. A Prefeitura não sabe informar até quando as reservas vão durar, caso a produção não seja restabelecida para a capital.

Sem pessoal suficiente para realizar todos os serviços, as equipes técnicas dos três viveiros municipais precisam priorizar a preservação das matrizes das espécies, as “plantas-mãe”, a partir das quais as mudas são produzidas. A Depave-2 admite o problema, mas afirma que a manutenção está assegurada. “O risco do matrizeiro é comum em qualquer época do ano, ainda mais neste período que é mais seco e está agravado”, diz Renata. 

Crise. O Manequinho Lopes, cujo acervo tem mais de 200 tipos diferentes de plantas, sofre com a falta de reposição dos estoques. Berçário de boa parte do verde espalhado pela cidade, o viveiro do Ibirapuera tem atualmente 10.270 plantas arbustivas, 62 mil herbáceas, 700 medicinais e 320 trepadeiras, de acordo com última atualização da pasta, divulgada no dia 17 deste mês. 

É fácil perceber o impacto provocado pela crise nos canteiros, nas 39 quadras de estoques, nas dez estufas e nos três telados. O escoamento da reserva esvaziou algumas das quadras, antes repletas de mudas. “O viveiro nunca esteve em um situação tão ruim assim”, diz um funcionário da Prefeitura que trabalha no local ha três décadas. 

Fundado nos anos 1920, o Manequinho Lopes sempre foi uma referência de reduto verde dentro da capital. A partir dele, nasceria também o Parque do Ibirapuera, que completou 61 anos na sexta-feira.

No dia do aniversário do principal espaço verde da cidade, era possível ver áreas comuns do viveiro com folhas pelo chão e quadras invadidas pelo mato. Uma retroescavadeira, tomada por galhos secos, também estava abandonada ao lado de uma das quadras. A administração municipal afirma que a manutenção e a limpeza dos locais estão sendo feitas por funcionários terceirizados.

No limite. O fim do contrato fez o Manequinho Lopes perder cerca de 50 trabalhadores. “Antes, a gente via dois, três jardineiros em cada estufa, mas agora é um só tentando cuidar de dez estufas”, afirma um aluno de jardinagem do viveiro.

A Prefeitura afirma que, além do corpo técnico do viveiro, há três jardineiros que atuam nas estufas, nos canteiros e nas quadras. O término do contrato da terceirizada retirou veículos usados por técnicos para atividades como coleta de sementes em vegetações externas.

O viveiro também armazena mudas provenientes de Termos de Compromisso Ambiental (TCAs), que são compensações de empresas para a execução de obras na cidade. Por ser de produção externa, a distribuição dessas árvores não é afetada pelo atraso no contrato.

Prefeitura diz que contrato está em ‘vias de voltar’

A Prefeitura de São Paulo afirma que a produção nos viveiros municipais será restabelecida assim que o novo contrato for assinado, mas não informa quando vai publicar a licitação. “O que nós sabemos é que o contrato já está em vias de voltar”, afirma Renata Iride Longo, diretora da Divisão Técnica de Produção e Arborização (Depave-2).

A última renovação por 45 dias com a empresa terceirizada responsável pelos viveiros foi publicada no Diário Oficial em novembro, com valor de R$ 562,5 mil. Os custos previstos para nova contratação não foram divulgados.

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