Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Gestão Haddad cumpre 1 a cada 4 metas

Baixo índice atinge saúde e educação. Governo reclama de atraso de 1 ano no aumento do IPTU e de congelamento de tarifa de ônibus

Edison Veiga e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

04 Julho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A um ano e meio do término do mandato, o prefeito Fernando Haddad (PT) cumpriu um em cada quatro compromissos previstos em seu programa de metas. Balanço oficial divulgado nesta sexta-feira, 3, no site da Prefeitura de São Paulo aponta que, das 123 metas, 32 foram integralmente cumpridas e outras 48 têm índice de execução superior a 50%. Quase metade das metas, portanto, tem taxa de cumprimento inferior a 50%.

A Secretaria de Comunicação informou que o ritmo de cumprimento de metas não é linear e a Prefeitura espera atingir todos os objetivos propostos até o fim da gestão, em dezembro de 2016. A gestão afirmou que o cronograma dos projetos teve de ser alterado pela perda de receitas dos últimos anos.

A pasta deu como exemplo da queda de arrecadação o atraso de um ano na atualização do valor do IPTU na cidade, barrado por liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo, e o congelamento da tarifa de ônibus de 2013 a 2015. De acordo com a Secom, os dois fatos causaram perda de R$ 2,5 bilhões ao orçamento municipal desde 2013, quando Haddad assumiu a Prefeitura.

O baixo índice de cumprimento das metas atinge áreas prioritárias, como saúde e educação. Das 13 metas previstas para os dois temas, apenas uma foi integralmente cumprida - a implementação de 31 polos da Universidade Aberta do Brasil.

De acordo com a Prefeitura, foram criados 32 polos e ofertadas 8.852 vagas no ano passado. A criação de vagas de creches, no entanto, não obteve o mesmo êxito no mandato. Das 243 unidades prometidas, apenas 32 foram entregues e outras 36 estão em obras.

Outra meta de educação com cumprimento aquém do ideal é a construção dos 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs). Em dois anos e meio, apenas um foi entregue, em Heliópolis (zona sul).

Na área da saúde, o maior desafio são os três hospitais prometidos. As unidades de Parelheiros (zona sul) e Brasilândia (zona leste) tiveram as obras iniciadas somente neste ano. Elas devem durar dois anos.

O terceiro hospital não será instalado na zona leste, como prometido na campanha eleitoral. Em seu lugar, deverá entrar o Hospital Santa Marina, unidade particular comprada por Haddad, atualmente em reforma para se transformar em centro médico público. A entrega parcial da unidade, prevista para o fim do ano passado, está atrasada.

Também anda a passos lentos o projeto de construir 43 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Por enquanto, quatro foram entregues. Das 25 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) prometidas por Haddad, duas foram entregues e 13 tiveram as obras iniciadas em abril deste ano.

Na área de habitação, o plano de entregar 55 mil unidades em quatro anos também será difícil de ser atingido, caso o ritmo de entrega continue o mesmo. Até agora, 4.944 moradias foram concluídas.

Atraso. O andamento do programa de metas da gestão Haddad foi publicado no site da Prefeitura apenas no início da tarde desta sexta, apesar de estar anteriormente prometida para ocorrer durante o mês de junho. A última atualização havia sido feita em dezembro do ano passado.


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