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Gestão Doria quer distribuir remédio a paciente do SUS em farmácia particular

Hoje medicamentos são retirados pessoalmente nas unidades de saúde e não são raras as reclamações relacionadas à ausência de parte dos produtos

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2017 | 15h52

SÃO PAULO - O secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, pretende alterar a forma como a Prefeitura distribui medicamentos a pacientes da rede. A ideia é usar qualquer farmácia da cidade para este objetivo. Hoje, remédios e outros produtos fornecidos pelo Município, como fraldas geriátricas, são retirados pessoalmente nas unidades de saúde e não são raras as reclamações relacionadas à ausência de parte dos produtos.

O formato do programa ainda não está fechado. Segundo Pollara, a pasta vai estudar se passará a fornecer uma espécie de “vale medicamento” aos usuários ou então se precisará criar um site específico a ser acessado pela rede particular para checar e validar a receita apresentada pelo paciente em busca de medicação. O modelo pretendido se assemelha ao programa Farmácia Popular, do governo federal, criado em 2004.

“Não queremos mais entregar remédio nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Essa logística não dá certo, é muito difícil”, disse. “Vamos começar a trabalhar nisso. Já mandei que o departamento de informática pesquise qual seria a melhor maneira para implementar esse modelo, qual o melhor mecanismo. O que eu quero é que o cara vá na farmácia ao lado da casa dele e retire o remédio.”

A alteração, no entanto, deve contrariar a determinação do prefeito João Doria (PSDB) de cortar gastos. “Esse modelo vai ser mais caro, acredito, mas muito mais eficiente. Hoje, o que existe não funciona. Remédio é na farmácia, nosso negócio é oferecer tratamento, saúde”, completou Pollara. Ampliar a quantidade de medicamentos entregues via Correios é outra opção. 

Ano passado, com a crise econômica, a demanda por esse serviço na rede municipal aumentou ao menos 30% em relação a 2015. A média mensal de pessoas que retiram remédios e insumos passou de 520 mil para 676 mil. A alta demanda – 330 mil pessoas deixaram de ter plano de saúde na cidade entre 2014 e 2016 – agravou o quadro de falta de medicamentos básicos em algumas unidades e obrigou a secretaria a rever o planejamento de compras.

Corujão. A gestão Doria publicou na edição desta sexta-feira, 6, do Diário Oficial da Cidade o chamamento público para credenciar estabelecimentos privados interessados em participar do Corujão da Saúde, destinado a eliminar a fila por exames na cidade. Os selecionados vão receber os valores pagos pela tabela SUS. O programa começa dia 10 em unidades já conveniadas com a Prefeitura, como os Hospitais Oswaldo Cruz, HCor e Sírio Libanês, todos na região da Avenida Paulista. O prefeito Doria é esperado nas três unidades.

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