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Gestão Doria diz que cortes não vão incluir contratos de ônibus

Sindicato das empresas afirmava que podia ter de demitir até 10,5 mil trabalhadores, se valores fossem revistos

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2016 | 03h00
Atualizado 09 Dezembro 2016 | 11h56

Correções: 09/12/2016 | 11h56

SÃO PAULO - Depois de conversar com empresários do setor de transporte público, que já falavam em corte de 2 mil ônibus e demissão de 10 mil motoristas e cobradores, a gestão João Doria (PSDB) afirmou que os contratos de ônibus da cidade ficarão fora do corte linear de 15% que o prefeito eleito pretende fazer nos gastos com fornecedores da cidade. No sábado, durante entrevista coletiva, o Doria havia dito que os contratos com as empresas de ônibus seriam, sim, alvo do plano de redução de despesas.

“Inclui. É linear, todos, todos. Cada empresa também pode buscar melhoria da sua eficiência. Os empresários sabem disso, aliás vêm buscando isso e acredito que, diante de uma situação como essa, caberá a eles fazer um esforço adicional para melhorar seu grau de eficiência”, disse o tucano, ao ser questionado se os cortes iriam incluir as empresas de ônibus. 

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de São Paulo (SPUrbanuss), se fosse levada adiante, a medida iria tirar 2,1 mil ônibus das ruas e 10,5 mil empregos no setor. O presidente da SPUrbanuss, Francisco Christovam, afirma que as empresas que atuam em São Paulo operam no limite. “Não existe margem para cortes. Nossos preços são todos controlados pelo poder público. As planilhas estão à disposição para mostrar isso. Desse modo, não dá para fazer um corte de 15% sem interferir no serviço”, afirmou. 

Christovam conversou com o futuro secretário municipal de Transportes, Sergio Avelleda, que ficará encarregado de gerenciar a frota de coletivos. “O Francisco Christovam me ligou bastante preocupado. Deixa eu esclarecer: a fala do prefeito, a intenção do prefeito, era dizer que os serviços de transporte que são prestados para a Prefeitura serão revistos. Mas são contratos de prestação de serviços para a Prefeitura”, disse.

“Eu o tranquilizei (se referindo ao representante dos empresários) e o prefeito foi bastante assertivo nisso: ‘O que eu quis dizer foi que os contratos de locação de automóvel, se você tem um ônibus alugado para funcionários da SPTrans, deverão passar pelo processo de revisão do preço. Não se aplica aos contratos de concessão, que têm uma estrutura bastante diferenciada”, disse Avelleda.

Os contratos de concessão para o transporte público estão vencidos desde 2013. Parte deles vem sendo renovados por meio de aditivos, mas parte da frota só opera por meio de contratos emergenciais, que são acompanhados pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Avelleda disse que, a partir de janeiro, tentará reorganizar linhas para reduzir as sobreposições de trajetos. 

A assessoria de Doria afirmou que a gestão nunca pensou em incluir os ônibus na lista de empresas que teriam o corte e negou que houvesse uma mudança de discurso após os questionamentos feitos pelas empresas de ônibus. O prefeito não teria compreendido corretamente a pergunta sobre o tema. / COLABOROU ADRIANA FERRAZ

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09/12/2016 | 11h56

A reportagem foi atualizada para corrigir a informação de que nenhum contrato de concessão para o transporte público está vigente na cidade. A informação estava no último parágrafo do texto. Parte desses contratos, que abrangem cerca de metade da frota, vem sendo renovada por meio de aditivos desde 2013. Outra parte teve o limite de aditivos estourado, e os contratos foram trocados por acordos emergenciais. 

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