Gerentes de postos são presos por elevar preço

Um dos estabelecimentos, na zona norte, cobrava quase R$ 5 pelo litro de gasolina

O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h04

Nove gerentes de postos de combustíveis foram detidos pela Polícia Civil, sob suspeita de se aproveitarem da crise para aumentar os preços dos combustíveis. Um dos estabelecimentos, na zona norte, passou a cobrar quase R$ 5 por litro de gasolina.

Segundo o delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, da Delegacia de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), trata-se de um crime contra a economia popular, com pena de detenção de 6 meses a 2 anos. "Os investigadores estão apurando comerciantes que se aproveitaram da situação para fazer o aumento por conta própria", disse.

Os postos tiveram reajustes gritantes durante o período de crise. Na Rua Alfredo Pujol, em Santana, um posto aumentou o preço do litro da gasolina comum de R$ 2,799 para R$ 4,499, alta de 60,7%. Já a gasolina aditivada custava R$ 4,999 no estabelecimento. Funcionários do posto não quiseram conversar com a reportagem.

De manhã, a polícia também autuou postos na Rua Amaral Gurgel e Alameda Barão de Limeira, no centro, e na Avenida Itaquera, na zona leste. À tarde, mais cinco postos espalhados pela cidade foram autuados.

Os nove gerentes prestaram depoimento e foram liberados. Os donos dos postos também devem responder a inquérito.

O delegado Fernando Schmidt, também da DPPC, afirmou que as investigações continuarão sendo realizadas hoje por policiais da unidade. Quem notar aumento de preços ilegal pode avisar a delegacia pelo telefone (11) 3338-0155.

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro-SP) disse ter recebido, só ontem, 40 queixas de consumidores reclamando de aumentos abusivos nas bombas de gasolina e etanol da capital paulista. O presidente da entidade, José Alberto Paiva Gouveia, classificou os reajustes como "uma traição"desses comerciantes com seus consumidores. "São meia dúzia de delinquentes que ficam se aproveitando do desespero de todos", afirmou.

Piquetes. A DPPC também investiga possível atuação criminosa de sindicalistas durante piquetes realizados ontem e anteontem. Embora a polícia não tenha detido nenhuma pessoa acusada de bloquear o trânsito de caminhões dos centros de distribuição de combustíveis para postos, pessoas que diziam ser caminhoneiros - mas estavam sem seus veículos - permaneceram o dia todo na frente das saídas dos polos da Grande São Paulo.

No Ipiranga, na zona sul, o Estado testemunhou dez pessoas, com rádios de comunicação, dizendo que a greve deveria continuar em Barueri, na Região Metropolitana. "Estava falando com um amigo, para ver como está a greve lá. Mas não estou fazendo bloqueio, não", disse um deles, ao ser abordado pela reportagem. Os homens não impediram a saída de um caminhão escoltado por equipes da Força Tática da Polícia Militar.

Já outros caminhoneiros - estes com seus veículos - disseram que não podiam trafegar por determinação do grupo, que faria parte de uma cooperativa que atendia postos do ABC paulista. "Só estão deixando sair caminhão com PM na escolta. Mas é porque eles não são loucos de brigar com os policiais." / ARTUR RODRIGUES E BRUNO RIBEIRO

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