Gerente das avenidas nomeia a mulher para cargo de supervisão

Casal está viajando, mas ''Diário Oficial'' não registra folga de nenhum dos dois; Prefeitura só[br]vai se pronunciar hoje

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 00h00

Recém-escolhido como "gerente" de 37 avenidas paulistanas e subprefeito em três diferentes regiões desde 2005, Cássio Freire Loschiavo nomeou a própria mulher, Theodora Cristina Messora, como supervisora técnica da Subprefeitura da Penha quando estava à frente da administração, em 2009.

A nomeação de Theodora foi em 17 de março de 2009, menos de dois meses depois que Loschiavo assumiu o cargo, em 30 de janeiro. Ela está no cargo até hoje. Seu salário, segundo o site De Olho nas Contas, é de cerca de R$ 4 mil.

O cargo é em comissão, ou seja, de indicação livre pelo prefeito. Nos dois anos de trabalho conjunto, o casal até usou o helicóptero da Prefeitura. O voo saiu em 9 de outubro do ano passado e durou 1h30, partindo do Campo de Marte, na zona norte, e chegando ao heliponto do Edifício Matarazzo, no centro, segundo registros da empresa responsável pelo contrato.

Loschiavo deixou seu cargo de subprefeito em maio, mas os dois continuam se encontrando no horário previsto para o serviço. Anteontem, a reportagem telefonou para a casa dos dois, na zona norte, sem se identificar. Uma empregada afirmou que Theodora estava viajando e só voltaria na sexta-feira. Indagada sobre Loschiavo, a informação foi a mesma. "Também, ele está com ela."

O Estado procurou Theodora na Subprefeitura da Penha. "Ela não trabalha mais conosco", respondeu a secretária do gabinete do subprefeito, que se identificou como Ângela. Logo em seguida, a reportagem se identificou e o discurso da secretária mudou. "Ela, ela, ela "tá" de férias", gaguejou, antes de dizer que Theodora trabalha, sim, na subprefeitura e não poderia atender porque estava "viajando".

Todas as férias e licenças dos funcionários municipais devem obrigatoriamente ser publicadas no Diário Oficial da Cidade. Uma pesquisa no sistema mostrou que Theodora já havia tirado os 30 dias de férias neste ano (dez em janeiro e 20 em junho), o total previsto por lei de descanso anual. Nos últimos dias, nenhum despacho foi publicado autorizando licença temporária tanto para Theodora quanto para Loschiavo.

O Estado deixou recado para retorno tanto na casa de Loschiavo quanto no gabinete da Subprefeitura da Penha, mas nem ele nem a mulher responderam até as 23 horas de ontem.

Procurada, a Prefeitura informou que só vai se pronunciar hoje sobre o assunto.

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