Gerações Pais e Filhos, volta ao passado

Fãs do rock revivem lembranças de edições anteriores do festival e retornam ao evento levando seus meninos

PEDRO ANTUNES, ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h03

Entre tantos anônimos de camisetas negras, cabelos e barbas compridos, duas figuras se escondem sentados na grama sintética, lado a lado. E eles não vestem preto, mas camisetas coloridas. O sujeito maior, de vermelho, é robusto e de cabeça raspada. Seu nome é Carlos Reis. O menor e franzino se chama Matheus Reis, seu filho, de 10 anos.

O garoto não tinha ideia do que era o Rock in Rio quando foi realizada a sua última edição, em 2001. Nasceu em novembro de 2000 e, dois meses depois, o pai, então com 23 anos, foi ao show do Guns N'Roses. "Eles já não estavam no auge", relembra o pai. Carlos foi às duas apresentações da banda de Axl Rose no festival, em 1991 e 2001. Vai, novamente, no domingo e, desta vez, acompanhado filho.

Situações como as de Carlos e Matheus, o pai que leva ao filho para o evento que frequentou na juventude, se dá pela enorme distância entre as edições. E, para os pais, ver os filhos nesta situação é reviver o próprio passado.

Carlos e Matheus estavam na terceira noite do festival, no último domingo, conhecida como o dia do metal, com shows de Motorhead, Slipknot e Metallica. O garoto queria ver o barulhento grupo de mascarados. O pai, o metal clássico de arena do Metallica. Carlos aprendeu a gostar de rock'n'roll através dos vinis, fitas cassetes e, depois, CDs. O garoto cresce na era digital, da música em MP3 e, o rock chegou a ele através do videogame, do jogo Guitar Hero.

Esse encontro entre gerações poderia ter um sobrenome, Bartelega. As coincidências fazem de Fernando Bartelega um sujeito único entre os 100 mil presentes na noite do Red Hot Chili Peppers, no dia 24. A reportagem do Estado percorreu os quatro dias de shows até aqui e não encontrou caso semelhante. Fernando foi à edição de 2001, com a mulher grávida do primeiro filho. Fez de tudo para ver o funk rock do grupo californiano. O relacionamento não deu certo, mas o filho, Pedro, cresceu roqueiro como o pai.

Hoje com 33 anos, Fernando voltou ao Rock in Rio para um novo show do Chili Peppers e com uma nova esposa, Tatiana Souza, de 32, grávida do seu segundo filho. Para completar a curiosidade, Tatiana também estava naquele festival de 2001. "É incrível voltar agora com o Arthur na barriga. Pode apostar que ele vai ser roqueiro também", garante ela.

Pedro, com 10 anos, queria ver o rock teen do NX Zero, que abriu a noite para o Chili Peppers. Mas, segundo conta o pai orgulhoso, o filho saiu empolgado com Californication, do grupo de Anthony Kiedis.

Era possível encontrar, aqui e ali, alguém de cabelos grisalhos acompanhado por jovens. Mas a empresária Carla Sobreiro, de 41 anos, quis fazer diferente. Sua mãe, Dona Celma, a levou à primeira edição do festival, em 1985. Agora, Carla retribuiu o favor. Levou a mãe, de 62 anos, para o show do Elton John, na sexta-feira. "Ela queria muito", diz.

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