Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Geração do 'auge' relembra época de ouro

Muitos não vão mais às agremiações, mas outros resistem e fazem de tudo pelo clube

Gustavo Chacra e Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2011 | 00h00

Depois da decadência, os clubes tradicionais só são bonitos nas recordações dos que viveram o auge. Maria Esther Bueno, por exemplo, iniciou sua carreira de tenista, nos anos 1950, no Clube de Regatas Tietê, às margens do na época límpido rio homônimo. "Era uma estrutura muito boa, nem se compara ao que é hoje. Só tenho boas lembranças. Mas hoje em dia não vou mais."

O fanatismo do empresário Angelo Eduardo Agarelli pelo Juventus é anterior ao seu registro civil - e deve continuar até o fim. Em 6 de março de 1947, quando ele nasceu, seu pai Angelo Agarelli correu para o tradicional clube da Rua Javari. Antes da certidão de nascimento, o filho precisava de uma carteirinha do clube. "É uma história inusitada", admite Agarelli, que não repetiu o ritual com suas duas filhas.

Nos anos 1970, o Juventus chegou a ter 130 mil sócios; hoje, são 30 mil. "Era o maior clube, em número de sócios, da América Latina." Mesmo quando o número de frequentadores começou a rarear, Agarelli seguiu firme. Três vezes por semanas está lá. "Já joguei tênis. Hoje em dia, só faço caminhadas." Engajou-se a tal ponto que se tornou conselheiro. "Meu primeiro emprego foi, aos 16 anos, na tesouraria do clube."

E a paixão é refletida também na hora da torcida futebolística? "Claro. Minha família é toda juventina. E eu não tenho essa de ter um segundo time para torcer, não... Os mais novos da família já estão se "prostituindo" um pouco. Mas, pelo menos, honram a tradição italiana e são palmeirenses. Menos mal, menos mal."

Tradicionais. Os clubes em crise vêm tentando se revitalizar nos últimos anos, como o Juventus. Outros nem chegaram a enfrentar problemas, como o Paulistano e o Pinheiros, duas das mais tradicionais instituições paulistanas, com 111 e 112 anos, respectivamente. "E a Copa do Mundo e a Olimpíada ajudarão ainda mais nesta melhora", afirma Cesar Roberto Granieri, presidente do SindiClube.

O Paulistano acabou de renovar o seu cinema, tornando-o um dos mais modernos da cidade. A sala de musculação do Pinheiros é tão moderna quanto as das melhores academia da capital. O clube foi responsável pela formação de atletas como os nadadores Cesar Cielo e Gustavo Borges. O Harmonia estuda construir uma garagem subterrânea. O Sírio inaugurou uma moderna piscina semiolímpica coberta. A Hebraica organiza dezenas de eventos culturais todos os meses. "Esses clubes souberam encontrar o equilíbrio entre o lado social e o esportivo", diz Granieri, que jogou vôlei, basquete e presidiu o Pinheiros.

Nesses clubes há aulas de música, línguas e teatro. Os sócios têm acesso a computadores, cinema e bibliotecas. São organizados shows, palestras e festas juninas. E a maior parte vive boa situação financeira.

No Harmonia, os sócios têm orgulho de seu restaurante. Até hoje, eles podem assinar a conta e pagar no fim do mês. Os porteiros conhecem os frequentadores pelo nome. No Monte Líbano, segundo muitos integrantes da comunidade árabe, está um dos melhores restaurantes libaneses de São Paulo.

Na capital, grande parte dos clubes é do início do século. No interior, eles começaram a ser erguidos nos anos 1950. Todos de uma época que os sócios não querem que desapareça.

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