Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Gemini terá última sessão no domingo

Há 35 anos numa galeria da Paulista, cinema está entre os mais tradicionais de SP; administração não explicou motivo do fechamento

Ana Bizzotto, Viviane Biondo, O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2010 | 00h00

Há 35 anos instalado em uma galeria comercial na Avenida Paulista, o Cine Gemini vai encerrar suas atividades após a última sessão deste domingo. Funcionários disseram ontem que sequer foram avisados sobre o fim das exibições. Procurada, a direção do cinema não foi localizada para explicar os motivos do fechamento.

Em comunicado enviado na terça-feira, a assessoria de imprensa se limitou a informar a programação do fim de semana, cuja última exibição será a do filme Cabeça a Prêmio, às 21h40. No mesmo e-mail, acrescentou: "Aproveitamos para informar que o Cinema Gemini não irá funcionar a partir de 27/09/2010, devido ao encerramento de suas atividades". Em seguida, a nota agradece o "apoio recebido durante a parceria", sem mais informações sobre o encerramento.

Frequentadores lamentaram a notícia. "É uma pena. Será nossa última sessão aqui", disse a aposentada Elisa Maria Rosati, de 70 anos, que já se programou para assistir ao filme A Jovem Rainha Vitória neste fim de semana. Moradora da região, ela conta que nos últimos tempos sempre que passava pela galeria via o Gemini quase vazio. "Deve ser por isso", acredita.

Mais um fechado. O Cine Gemini, que nos últimos anos se dedicava a passar filmes que já haviam saído de cartaz em outras salas da cidade, não foi o único a fechar as portas neste ano.

Em maio, o Cine Lilian Lemmertz fez sua última sessão com apenas 11 espectadores. Após dez anos de funcionamento na Lapa, o cinema não sobreviveu ao fim do apoio financeiro da distribuidora Polifilmes.

Na Rua da Consolação, o cinema Belas Artes não fechou as portas, mas também enfrenta dificuldades desde que perdeu o patrocínio do HSBC, em março. "O Gemini é um dos poucos cinemas de rua que restam na cidade. É uma pena quando qualquer espaço cultural fecha, cinema em particular", diz André Sturm, proprietário do Belas Artes. "É difícil manter um cinema fora de shopping. No Belas Artes, que é maior, já é difícil. Imagine então com duas salas."

Para o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, as salas tinham "morte anunciada". "Depois da revolução das grandes redes, como Cinemark, não há espaço para projeção ruim. Com filmes em Blu-ray, para que sair de casa e ter imagem e som ruins, ainda que por preço baixo?" Em sua opinião, o fato de cinemas de shopping terem conquistado boa parte do público não justifica a decadência do Gemini. "Tinha de fechar, não sou a favor da nostalgia do que é ruim. É diferente do Belas Artes, que não parou no tempo como o Gemini."

PONTOS-CHAVE

Inauguração

As salas de cinema Gemini 1 e Gemini 2 abriram as portas no dia 29 de maio de 1975. O Gemini 1 estreou com o filme Primeira Página e o Gemini 2 exibiu o longa Golpe Baixo

Batizado

O nome italiano ("gêmeas", em português) foi definido pela Metro-Goldwyn-Mayer, sua matriz original, e remete ao aspecto das duas salas, de decoração igual e mesmo número de lugares: 328 Decoração

As salas foram decoradas pelo sueco Lennart Clemmens com poltronas combinadas a carpetes e bancos suspensos na sala de espera. Continuam até hoje com essas características

Doces

Em 2005, quando comemorou 30 anos, o cinema passou a oferecer mimos aos frequentadores: cappuccino, café, chocolate quente, refrigerante e até pirulitos para as crianças

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