Geladeira da vovó está na moda

Modelos antigos ganham lugar de destaque na decoração da casa - com pintura e aplicação de adesivo, viram até armários

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2012 | 03h05

Na onda retrô da decoração e do design, a geladeira da vovó virou peça moderna e descolada. Depois de receber uma nova pintura - a tendência é amarelo, laranja, verde e vermelho -, ela pode virar um armário para livros e até mesmo uma sapateira. Alguns modelos ganham adesivos; outros passam também por reformas mecânicas, e continuam na cozinha, preservando a comida fresca.

Há dois anos, o publicitário Tiago de Carli, de 26, ganhou um refrigerador da GE, da década de 1950. "Sempre gostei de modelos antigos. Meus pais acharam uma dessas em uma loja de usados, e resolveram me presentear", conta Carli que, mesmo sem conhecimento de mecânica, começou a reformá-la.

Quando acabou a obra, orgulhoso do resultado, postou a foto da geladeira em um blog. "Foi um sucesso. Muitos amigos e internautas começaram a pedir para que eu fizesse o mesmo com a geladeira deles", conta.

Com o aumento da demanda, ele resolveu abrir uma empresa artesanal de réplicas de modelos antigos, a Adélia Works.

"Fiz isso porque nem todo mundo fica satisfeito com a reforma. Algumas peças do interior do modelo original não podem ser recuperadas. E tem gente que não entende."

A Brastemp tem uma linha retrô. As geladeiras levam acabamentos arredondados e acessórios cromados, mas têm todos os recursos de funcionamento dos modelos atuais, como a tecnologia frost free. "Já a Adélia Works faz geladeira nos moldes antigos. Elas têm até congelador", conta Carli.

Da família. Há quem saia à procura de objetos velhos para restaurar, mas o mais comum é encontrar aquelas peças que contam histórias, foram deixadas de herança, por exemplo. "Tive uma cliente que me ligava todos os dias para saber da geladeira que estava aqui, que ela chamava de 'meu bebê'", diz Carlos de Lima, de 46 anos, proprietário da Pintura de Geladeiras, empresa especializada em reformas, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. "A geladeira nem era tão velha assim. Tinha 15 anos. Mas era um presente da mãe dela", diz.

Lima, que aprendeu o ofício com o pai, ex-funcionário da Frigidaire, dá dicas. "A tinta usada na reforma tem de ser automotiva. E ela deve ser feita em uma cabine livre de pó e depois secar em estufa a 36 graus." O custo do trabalho: R$ 1.400.

Quem quer ver modelos antigos já recuperados, para se inspirar, vale acessar o site Geladeira & Retrô. Com sede no Rio, a empresa tem em estoque 68 modelos e entrega em todo o Brasil. Há muitos achados, como um refrigerador da década de 1930 que parece um cofre.

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