GCMs vão correr com usuários no Parque do Ibirapuera

Programa quer incentivar prática de cooper e serve ainda como estratégia para melhorar a imagem da Guarda Civil

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

19 Março 2013 | 02h08

A partir de amanhã, a Guarda Civil Municipal (GCM) não correrá só atrás de bandidos e de quem pratica vandalismo. Às 8h, será lançado o projeto "Corra com a Guarda", em que os agentes atuarão como monitores fazendo cooper com os frequentadores do Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo.

O projeto será realizado das 8h às 11h, todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Um efetivo de 16 guardas-civis, formados em Educação Física, estará à disposição dos usuários do parque.

Segundo o secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, também corredor, a ideia é usar o projeto para aproximar a população da GCM. "Se a população aderir, pretendemos expandir para outros parques da cidade", afirma Porto.

A cada meia hora, um grupo composto por um professor de Educação Física e dois monitores percorrerá um trajeto de três quilômetros no Ibirapuera.

"Muita gente vai ao parque e não tem companhia para correr", diz Porto. Para correr com os guardas-civis, bastará ir até a tenda da corporação, na Praça do Porquinho, próximo do Portão 6. Não é necessário fazer inscrição e o número de corredores é ilimitado.

Além de praticarem corrida, os guardas darão orientação aos corredores e farão sessões de alongamento. A grande maioria dos GCMs do parque, um total de 134, deve permanecer fazendo apenas suas funções de proteção ao patrimônio municipal.

A ação é uma estratégia para tentar colar a imagem de "Guarda Comunitária", uma das ideais anunciadas na campanha pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Desde que assumiu, a atual gestão tenta retirar a fama de truculenta da corporação, acusada de agredir moradores de rua no centro e envolvida em brigas com skatistas na Praça Roosevelt. Uma das primeiras atitudes foi trocar o comando da GCM, hoje sob responsabilidade de Eduardo de Siqueira Bias. Ele e o secretário Roberto Porto participarão da corrida inaugural.

Exotismo. Especialista em segurança, o coronel José Vicente da Silva discorda que esse tipo de ação aproxime a GCM da comunidade. "Não vejo nada a ver com a trabalho profissional da guarda, um exotismo sem resultado. Só se melhora a relação com a população no exercício da própria função", afirma.

Já o presidente do Sindicato dos Guardas-Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo, Carlos Augusto de Souza, afirma que a ação pode ajudar a quebrar a desconfiança em relação a membros da corporação. "Talvez seja uma semente de um policiamento comunitário, no sentido de trazer a população para se aproximar da instituição", afirma. Com a GCM desprestigiada, nos últimos seis anos, mais de 1,5 mil integrantes deixaram a corporação.

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