GCM troca chefia e anuncia mudanças

Inspetor que integrou 1ª turma de guardas-civis vai criar curso para 'reciclar' efetivo e aumentar nº de agentes mediadores de conflitos

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2013 | 02h03

O prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou ontem a troca do comando da Guarda Civil Metropolitana (GCM), como antecipou a colunista do Estado Sonia Racy em seu blog. O inspetor Eduardo de Siqueira Bias, de 47 anos, substituirá Joel Malta de Sá, que chefiava a corporação desde 2009. Entre outras mudanças, Bias vai criar um curso de reciclagem para agentes suspensos e aumentar a quantidade de GCMs especializados na mediação de conflitos.

A mudança ocorre nove dias após a divulgação de um vídeo mostrando guardas sem farda agredindo skatistas na Praça Roosevelt, região central. O novo comandante está na corporação desde 1986, quando, de acordo com a Secretaria Municipal da Segurança Urbana, foi constituída a primeira turma de guardas-civis.

Bias passou por todos os postos dentro da instituição. Formado em Letras pela Faculdade Oswaldo Cruz e com cursos de segurança no currículo, ele hoje está lotado na Inspetoria do Gabinete do Prefeito.

Outro posto que sofrerá mudança é o de coordenador do centro de formação da guarda. Historicamente, o setor tem sido ocupado por coronéis - o atual é Flávio Rosa. Mas a gestão Haddad pretende colocar ali um educador. O nome dele, contudo, não foi divulgado. As duas nomeações devem sair nos próximos dias no Diário Oficial da Cidade.

O secretário municipal da Segurança Urbana, Roberto Porto, afirma que o objetivo é dar à GCM um caráter mais comunitário. No governo Gilberto Kassab (PSD), o trabalho esteve focado no combate à pirataria. "A ideia é aproximar a guarda do cidadão."

Sobre a escolha de um profissional da área de Educação para gerir a formação dos agentes, ele explica que a medida integra a nova filosofia da corporação. "Nada melhor do que um educador para dar essa diretriz."

A GCM também passará a "reciclar" os guardas punidos por má conduta, o que ainda não ocorre. "Toda vez que um agente se envolver em uma ocorrência que gere alguma tensão, obrigatoriamente terá de passar por uma reciclagem para que aquele problema específico seja analisado." Com isso, espera-se que o vigilante não reincida no erro.

Mediadores. Caso uma das ideias da administração Haddad já estivesse em prática na GCM, o grupo de skatistas provavelmente não teria sido agredido por guardas-civis no dia 4. Essa é a avaliação que Porto faz a respeito da meta de duplicar o número de agentes mediadores, especializados em evitar tumulto e brigas em abordagens. "Eles deverão ficar em lugares-chave da cidade, como, por exemplo, a própria Praça Roosevelt. Na hora em que um guarda sentir que a 'temperatura subiu' em determinada abordagem, ele para tudo e chama o mediador, que tem preparo para lidar com esse tipo de situação."

Atualmente, existem 234 guardas com essa formação, mas o objetivo é dobrar esse número ao longo deste ano. Para Porto, essa medida "vai diminuir drasticamente o histórico de violência na Guarda".

Como consequência, avalia o ex-promotor, podem cair os índices de violência na capital, medidos pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Parte dos mediadores será levada para áreas da periferia da cidade, onde geralmente há taxas maiores de criminalidade. A Prefeitura ainda quer tornar a presença dos agentes mais constante nos parques.

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