GCM tira barracas da Sé cedo e moradores de rua voltam à noite

Ocupantes da praça dizem que não têm mais para onde ir após fechamento de tenda no Parque D. Pedro II

Artur Rodrigues, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2013 | 22h39

SÃO PAULO - Os cerca de 200 moradores de rua que haviam montado acampamento na Praça da Sé acordaram nesta quinta-feira,26, com a presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e equipes de limpeza da Prefeitura de São Paulo. A ordem era desmontar as barracas e liberar a área.

A equipe enviada ao local chegou de caminhão, que foi usado para retirar sacos plásticos, madeira, móveis e outros objetos. Alguns moradores saíam irritados, xingando o prefeito Fernando Haddad (PT) e dizendo não ter para onde ir. O jeito, disseram outros, era esperar a equipe da Prefeitura sair e voltar depois. Promessa que vários cumpriram no fim da tarde de quinta-feira.

A ocupação na Sé une usuários de drogas, meninos de rua e famílias desabrigadas. Muitos usam barracas de camping, distribuídas por igrejas e entidades assistenciais. Outros montam barracos de lona e madeira. Algumas partes da praça ficam completamente obstruídas e cheias de lixo.

Vanderson Ramos, de 26 anos, é um antigo morador da praça. Desde os 12, passa suas noites por lá. A diferença é que neste ano ganhou a barraca de uma entidade e armou ali mesmo. "Mas quero sair daqui, que me deem um barraco na favela que seja", afirma.

Moradores disseram que começaram a passar os dias no cartão-postal da cidade após a gestão petista fechar a tenda do Parque D. Pedro II, criada na gestão Gilberto Kassab (PSD). É o caso de Hélio Felix de Oliveira, de 49 anos, ex-usuário do centro de convivência, onde assistia a TV, tomava banho, fazia a barba e ia ao banheiro. "Agora, meu chuveiro é o chafariz e o banheiro são as árvores."

O engraxate André Ribeiro, de 73 anos, diz que nunca viu tantos moradores de rua. "Precisa criar uma política para ajudar esse povo", afirma.

Há dez anos no escritório com vista para a praça, o advogado Alexandre Masseratto, de 43 anos, acompanhou as idas e vindas do poder público em relação aos moradores de rua. "Falta um projeto para eles e também para a praça, que tem uma beleza turística desperdiçada", diz Masseratto.

Após denúncias de agressão por parte da guardas-civis contra moradores de rua na gestão Kassab, a atual administração criou um protocolo impedindo que os guardas toquem nos moradores, a não ser que estejam acompanhados de assistente social. Ao mesmo tempo, entidades começaram a distribuir as barracas. Foi o suficiente para que a região virasse um grande camping.

Remoção. O prefeito foi questionado sobre o assunto na segunda-feira, 23, e prometeu tirar as barracas da Sé e de todo o centro. "Se admitirmos a instalação de equipamentos permanentes nas praças públicas, você não vai reverter mais", afirmou Haddad.

Em nota, a Prefeitura informa que realiza trabalho de "convencimento" para que os moradores saiam. Os que aceitam podem ir para uma das 9 mil vagas de acolhimento. A administração afirma também que dá cursos profissionalizantes.

Na segunda-feira, 30, a Prefeitura promete reabrir a tenda do Parque D. Pedro II, pelo programa "Braços Abertos", para usuários de drogas. O espaço ficou fechado para "reorganização" e os moradores foram encaminhados para equipamentos da Bela Vista e Mooca.

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