GCM quer casa de mediação na Roosevelt

Ideia é ter ponto fixo, já nas próximas semanas, para ajudar a resolver conflitos na praça

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2013 | 02h04

Uma casa de mediação de conflitos deve ser montada pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, nas próximas semanas. O equipamento poderá ajudar a resolver problemas entre moradores e frequentadores do espaço. No dia 4, um guarda, sem farda, foi filmado agredindo um skatista na praça.

Dobrar o número de agentes que atuam como mediadores de conflitos até dezembro é um dos objetivos do novo comandante da GCM, o inspetor Eduardo de Siqueira Bias, de 47 anos. Hoje, há 234 profissionais capacitados para mediar brigas espalhados pela cidade. Nas casas de mediação, o cidadão poderá tentar resolver, na conversa, todo tipo de problema que tenha com outros moradores da cidade, como barulho acima do permitido, invasão de terreno e uso de drogas.

"Aquela região da Praça Roosevelt passou a ser mais utilizada pelo público após a reforma (finalizada no fim de setembro, após 2 anos). Você tem moradores, skatistas, gente que vai passear... Pode haver um desentendimento entre eles. O mediador vai atuar para evitar que essa desavença vire uma coisa mais grave. Ele ajuda a prevenir um crime", afirma Bias.

Enquanto investe na mediação de conflitos como medida preventiva, a GCM também quer se aproximar mais da comunidade. Uma das apostas de Bias é levar mais guardas para escolas públicas. "O guarda tem de estar presente. Deve conversar com os pais, alunos e funcionários. Saber o que está acontecendo na comunidade", opina.

'Bico oficial'. O aumento do efetivo que trabalha nas escolas pode ser feito por meio de um projeto semelhante à Operação Delegada da Polícia Militar, na qual policiais ganham para trabalhar em dias de folga. "Estamos revisando um projeto de lei encaminhado à Câmara que autoriza os guardas de folga a trabalhar em grandes eventos. Nossa proposta é usá-los não para esses eventos, mas para reforçar o trabalho nas escolas."

Os guardas devem ser direcionados também para os parques municipais, principalmente o do Ibirapuera, na zona sul.

Para reforçar o efetivo nas ruas, Bias aposta na realização de um concurso público que criará 2 mil vagas - a capital tem cerca de 6,2 mil GCMs. Ao se aproximar do cidadão, o órgão se preocuparia menos com problemas que enfrentou mais fortemente na gestão passada, como camelôs e pirataria.

"O guarda não pode ficar restrito a ocorrências de segurança pública. Ele vai verificar situações de desordem urbana. E nisso entram buracos na rua, falta de iluminação... São situações que podem gerar um crime", declara Bias.

As abordagens a vendedores ambulantes, por exemplo, devem ficar restritas a operações montadas pelas subprefeituras. Moradores de rua, na opinião de Bias, só devem ser abordados pela GCM quando um assistente social estiver por perto. E o combate à pirataria, vitrine na gestão Gilberto Kassab (PSD), ficará em segundo plano.

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