Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

GCM monitora 22 ‘minicracolândias’ formadas após operação, da Sé até a Paulista

Dispersão de viciados após a megaoperação foi um dos argumentos de Doria para solicitar aval à internação compulsória

Fabio Leite e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 14h36
Atualizado 25 Maio 2017 | 22h42

SÃO PAULO - Quatro dias após a megaoperação policial na Cracolândia, no centro de São Paulo, a Guarda Civil Metropolitana (GCM), subordinada à gestão do prefeito João Doria (PSDB), já identificou 22 pontos de concentração de usuários de drogas egressos do quadrilátero onde, até domingo, cerca de 800 viciados se reuniam em um único “fluxo” sob o domínio de traficantes. 

O mapeamento, obtido pelo Estado, foi feito entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, 25, pelo Setor de Acompanhamento e Controle da GCM e mostra que os novos “fluxos” de dependentes químicos já chegam à Avenida Paulista, cartão-postal da cidade, onde os guardas flagraram um grupo de 20 usuários por volta da 1 hora. O maior “fluxo”, contudo, se concentra na Praça Princesa Isabel, próxima de onde ficava a Cracolândia, com 300 viciados.

Na Praça da Sé, onde já viviam muitos moradores de rua, a GCM contou um “fluxo” de 200 viciados à noite. “Tem muito mais gente usando droga na rua”, afirma a vendedora Roseane Belarmino, de 28 anos. “O policiamento aumentou, mas o ‘fluxo’ também”, reclama Ben Hur Augusto, de 48 anos, dono de uma banca de jornal.

Segundo a gestão Doria, a GCM “está monitorando desde domingo os grupos de dependentes químicos para informar as equipes de saúde e assistência social para que possam realizar as abordagens e atendimentos”. Ainda segundo a Prefeitura, não é possível afirmar que existem 22 pontos fixos de consumo de droga porque “os dependentes andam ao longo do dia pelas ruas do centro”.

Internação. As Avenidas Liberdade, São João e Brigadeiro Luís Antonio são outros endereços onde os guardas-civis localizaram mais de 40 viciados concentrados. A dispersão dos usuários foi um dos argumentos usados pela gestão Doria no pedido feito nesta quarta-feira, 24, à Justiça para poder realizar “busca e apreensão de pessoas em situação de drogadição” para fazer avaliação e internação compulsória. Segundo a Prefeitura, “o domínio desses locais continua com os traficantes”.

A proposta de internação compulsória em massa foi criticada por promotores, defensores públicos, médicos e até por aliados de Doria, como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para quem a internação à força deve acontecer “em último caso”. “A última palavra é do juiz.” O pedido da Prefeitura deve ser julgado nos próximos dias pela 7.ª Vara da Fazenda Pública.

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