Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

GCM anda armado e só atira se houver vidas em risco, diz Haddad

Prefeito afirma que protocolos não foram respeitados na Cidade Tiradentes; segundo ele, disparos ocorrem em casos 'excepcionais'

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2016 | 12h31

SÃO PAULO - Após a morte de um menino de 11 anos por um Guarda Civil Metropolitano (GCM) no último sábado, 25, na Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse nesta segunda-feira, 27, que a ação foi um "erro" e defendeu que o guarda civil deve andar armado para fazer proteção de bens municipais, e não policiamento. 

Para Haddad, o disparo por guardas civis ocorre em casos "excepcionais" e um tiro deve ser dado somente quando houver vidas em risco, do próprio agente ou de alguém próximo.

"O guarda civil anda armado para se proteger. Não é para fazer policiamento. A concepção do armamento para o guarda é para ele, como está protegendo um próprio municipal, seja uma UBS (unidade básica de saúde), um hospital, um parque. Ele tem que se proteger", afirmou. 

A perseguição aconteceu na Cidade Tiradentes e envolveu três GCMs. O guarda responsável pelos disparos, Caio Muratori, foi autuado em flagrante por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), pagou fiança e vai responder as acusações em liberdade. É o segundo caso envolvendo perseguição e morte de uma criança neste mês na capital.

Segundo o prefeito, os protocolos da guarda que regulamentam o uso da arma não foram respeitados e a abordagem foi um "erro". Haddad disse que será aberto processo administrativo disciplinar para fazer uma investigação "apurada" para "eventualmente responsabilizar" Muratori, que pode ser afastado e até expulso.  

'Tragédia'. O prefeito garantiu que a Polícia Civil vai apurar o caso, a administração municipal vai prestar informações e "justiça com certeza vai ser feita". "O que não repara a tragédia que aconteceu. É uma tragédia perder uma criança", afirmou. 

Para Haddad, diante do episódio, a discussão sobre a necessidade do uso de arma por GCM pode ser feita. Mas destacou que a abordagem que resultou na morte do menino foi pontual.

"A guarda só em casos muito excepcionais faz perseguição. Para disparar um tiro, é mais excepcional ainda. A vida de alguém tem que estar em risco, a dele ou de alguém muito próximo a ele", explicou.

Na manhã desta segunda-feira, em entrevista à Rádio Estadão, o prefeito já havia dito que foi equivocada a abordagem dos GCMs. "Eu conversei longamente com o comandante da guarda (inspetor Gilson Menezes) e com o secretário de Segurança Urbana (Benedito Domingos Mariano), e os dois entendem que a abordagem foi equivocada. Não se justificava, talvez, a perseguição e muito menos os disparos", disse à rádio.

Perseguição. Três guardas participaram da ocorrência. À Polícia Civil, eles afirmaram que foram avisados por dois homens em uma moto que um grupo de ladrões em um Chevette prata havia acabado de roubá-los. Os GCMs não anotaram os dados das vítimas, mas passaram a patrulhar a região para localizar os criminosos.

Os guardas logo localizaram o carro suspeito, que não teria obedecido à ordem de parada e, por isso, iniciou-se uma perseguição. Conforme relataram posteriormente aos investigadores do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), os ocupantes do carro teriam atirado contra eles. Por isso, Muratori atirou quatro vezes na direção do Chevette.

Os tiros acertaram o vidro traseiro e um dos pneus. O carro dos ladrões parou na Rua Regresso Feliz, onde ocorria uma quermesse. Dois ocupantes desceram correndo. Mesmo perseguidos pelos guardas, eles conseguiram fugir.

Um policial militar aposentado que mora na frente do local onde os foragidos abandonaram o carro notou que uma criança estava no veículo - ferida. O menino de 11 anos foi levado a um pronto-socorro da região, onde morreu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.