Werther Santana/AE
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Gay agredido na região da Avenida Paulista volta a ser internado

Motivo da internação não foi informado pelo hospital; casal diz ter sido agredido após sair de bar

Marcela Bourroul Gonsalves, estadão.com.br

06 Outubro 2011 | 16h34

SÃO PAULO - O supervisor financeiro J.P., de 30 anos, que foi agredido na região da Avenida Paulista no último sábado, voltou a ser internado esta semana. Segundo o Hospital Nossa Senhora de Lourdes, localizado no Jabaquara, zona sul de São Paulo, ele está em um apartamento.

Ele e seu companheiro, o analista fiscal Marcos Paulo Villa, de 32 anos, alegam terem sido agredidos com socos e pontapés por dois homens que os seguiram desde o Sonique Bar, na Rua Bela Cintra, de onde eles haviam saído.

O caso aconteceu em frente ao restaurante Mestiço, na Rua Fernando de Albuquerque. J.P. teve a perna direita fraturada em dois pontos, além de hematomas na nuca e nas pernas.

"Eram mais de quatro da manhã. A gente tinha acabado de sair do Sonique Bar, na Rua Bela Cintra. Eles nos seguiram até um posto de gasolina e, na loja de conveniência, começaram a nos chamar de viados e dizer que tínhamos de morrer", lembra Villa.

"Depois, do outro lado da rua, um dos agressores partiu para cima de mim e o outro começou a bater no meu namorado, que caiu desacordado depois de tomar um chute na cabeça. Fiquei desesperado. Achei que ele tivesse morrido".

De acordo com as vítimas, os agressores também estavam no bar. "Eles tentaram se aproximar de duas amigas nossas, mas nem chegamos a conversar. Não houve discussão nenhuma. Depois, na saída, foram atrás da gente", relata. "No começo, tentei argumentar. Disse que eles eram jovens e poderiam, um dia, ter um filho gay. Mas parece que saíram de casa para arrumar briga mesmo", diz o analista fiscal.

O casal, que está junto há quatro anos, mora na região da Paulista e foi socorrido por amigos.

"Os policiais nem foram atrás. Disseram que não daria para identificar os agressores porque não tinham estereótipo de punk ou skinhead. Mas nós também não temos estereótipo de gays", afirma J. P. "Estamos sempre na nossa, sem chamar a atenção, com medo de passar por uma situação absurda dessas."

A agressão está sendo investigada pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

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