Gaviões diz que vai expulsar vândalos

Escola promete ajudar polícia a identificar e punir integrantes que queimaram carro alegórico da Pérola Negra no sambódromo

CAMILLA HADDAD, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h02

A Gaviões da Fiel vai ajudar a Polícia Civil a identificar os três integrantes da agremiação suspeitos de incendiar um carro alegórico e também prometeu expulsá-los. A alegoria atingida estava na dispersão do sambódromo do Anhembi e pertencia à escola Pérola Negra, rebaixada neste ano. Ontem à tarde, Tiago Tadeu Faria, de 29 anos, deixou a Penitenciária de Tremembé, onde estava preso por ter rasgado as notas de jurados durante a apuração do Grupo Especial, na terça-feira.

"O Wagner (Costa), vice-presidente da Gaviões, se comprometeu a tentar localizar os responsáveis e expulsá-los. Isso não pode acontecer", disse ontem advogado que representa a escola, David Gebara Junior, ao falar sobre a sequência de atos de vandalismo na apuração do carnaval paulistano. Ele acompanhou Wagner, que à tarde prestou depoimento de uma hora na Delegacia do Turista (Deatur), no centro.

Na saída da Deatur, o vice-presidente da agremiação tentou explicar os motivos que o levaram a entrar na área restrita do sambódromo - onde ficavam as notas dadas pelos jurados e onde houve um tumulto logo após a leitura de algumas notas. "Como dirigente, queria conversar com os integrantes da Liga das Escolas. Não era cabível aquele 8,9", disse Wagner, sobre uma nota recebida no quesito evolução.

Depois de Wagner foi a vez de Edilson Casal, presidente da Pérola Negra, que caiu para o Grupo de Acesso, depor. Ele ficou cerca de 2h na Deatur e, ao sair, não concedeu entrevistas.

O advogado de Casal, Isidro dos Santos Branco, disse que não é verdadeira a informação que seu cliente entrou na área restrita para promover tumulto. "A suposta invasão não se aplica a ele. Como presidente, ele tem livre acesso àquela área, tem autorização para ficar lá", explicou o advogado.

Segundo Branco, Wagner tentou entrar pelo portão, o segurança autorizou a entrada, e o tumulto veio atrás do presidente. Sobre o carro alegórico incendiado, o advogado disse que está em análise um pedido de ressarcimento à Gaviões da Fiel. Ele estima que o prejuízo tenha sido de R$ 80 mil.

Na quinta-feira, o diretor de Carnaval da Camisa Verde e Branco, Alexandre Salomão, conhecido como Teta, de 43 anos, foi o primeiro dirigente de escola de samba indiciado pela polícia. Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, Salomão é suspeito de envolvimento no tumulto do Anhembi e vai responder em liberdade por supressão de documentos. Ele também foi flagrado por imagens de uma TV rasgando e chutando papéis que estavam no júri, em área considerada restrita pela Liga.

A polícia investiga se houve uma ação orquestrada entre a cúpula das agremiações pouco antes de Tiago Faria pular o alambrado e rasgar os envelopes com as notas.

Liberdade. Os dois acusados de vandalismo durante a apuração do carnaval de 2012 e que estavam presos desde a terça-feira, no Anhembi, foram postos ontem em liberdade pela Justiça. Tiago Faria e Cauê Santos Ferreira estavam na Penitenciária de Tremembé, no interior, e foram liberados após pagar fiança de R$ 12.440.

Faria, cuja ligação com a Império de Casa Verde é negada pela escola, ganhou a liberdade por volta das 15h20 e seguiu para a capital no carro do advogado Eduardo Moraes, que é diretor da agremiação. "Ele está bastante assustado com toda a repercussão do caso e, por enquanto, não pretende falar. Ele vai ficar na casa de sua mulher, por enquanto." Há rumores de que o casal esteja separado. Eles têm uma filha de 3 anos.

No começo da noite, um rapaz chegou à casa onde Faria vivia com a avó e com um tio, afirmando ser seu irmão. Ele contou que havia estado pouco tempo antes com Faria, no trajeto entre Tremembé e São Paulo, e que ele parecia tranquilo. Vizinhos de Faria estavam curiosos com a movimentação na frente da casa, em uma rua do bairro Lauzane Paulista, zona norte de São Paulo.

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