'Gastamos mais de US$ 1 bilhão em um distrito de artes'

Prefeito diz que cultura destaca cada vez mais as cidades; ele criou uma rede global de municípios com a mesma visão

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h06

Investir em artes e cultura é um ponto-chave para as cidades que querem se tornar protagonistas e competir com grandes centros urbanos, como Nova York e Londres. Essa é a opinião do prefeito de Dallas, o democrata Mike Rawlings, que investiu US$ 1 bilhão na construção de um complexo de museus, teatros, cinemas e casas de espetáculo em um bairro da cidade texana. De passagem por São Paulo na semana passada, durante o New Cities Summit, o prefeito anunciou o lançamento de uma rede global para cidades que estão investindo em complexos artísticos: a Global Cultural Districts Network (Rede Global de Distritos Culturais).

Como Dallas tem se preparado para o futuro?

Nos últimos 20 anos, estamos crescendo em várias áreas. E uma das direções que escolhemos foi a de cultura. Gastamos mais de US$ 1 bilhão para construir um distrito de artes. Temos uma área para artistas universitários, companhias pequenas, uma casa de ópera, um teatro, um museu de artes plásticas, um dos jardins de esculturas mais exclusivos do mundo. Você pode ir a Dallas e ver o melhor do melhor.

Por que fazer um investimento tão alto em artes?

Acredito que artes e cultura podem ser para o século 21 o que os esportes foram para o século 20. É como se fosse a cola da sociedade, o que vai fazer uma cidade se destacar. E nós amamos esporte em Dallas, temos o maior estádio de futebol americano do mundo (Dallas Cowboys Stadium). Mas reconheço que a relevância internacional que arte e cultura podem dar para uma cidade, os esportes não conseguem dar.

De onde veio a ideia de fazer uma rede global?

Ao longo do processo, descobrimos que várias outras cidades estão fazendo seus distritos de arte, como Hong Kong. Serão investidos mais de US$ 250 bilhões nesse tipo de estrutura. É muito dinheiro. O que decidimos fazer, junto com o New Cities Foundation, foi criar uma rede para compartilhar boas práticas entre essas cidades, principalmente sobre como sustentar economicamente esses equipamentos.

O que São Paulo pode aprender com Dallas?

Uma das coisas interessantes sobre Dallas é que somos relativamente bem planejados. Há cerca de 50 anos, começamos um plano de longo prazo. Dallas tem o maior sistema de trens leves de superfície dos Estados Unidos. Construímos um aeroporto que hoje é o quarto mais movimentado do mundo. E isso foi um grande avanço para nossa economia, porque sedes de grandes empresas começaram a se mudar. Pessoas estão saindo de Nova York e indo para Dallas por causa das oportunidades. / T.D.

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