Gás tóxico mata 4 em frigorífico e deixa 3 em coma

Vítimas acompanhavam descarregamento de produto na Marfrig, em MS, quando desmaiaram e caíram de quatro metros de altura

JOÃO NAVES DE OLIVEIRAESPECIAL PARA O ESTADO , CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h04

O vazamento de um gás tóxico causou ontem a morte de quatro operários do frigorífico Marfrig, instalado em Bataguaçu, na região leste de Mato Grosso do Sul. Após inalarem o gás, eles desmaiaram e caíram de uma altura de 4 metros. Outros quatro foram transportados, em coma induzido, para um hospital de Presidente Prudente, no interior paulista. Segundo colegas e testemunhas, ocorreu uma explosão na empresa e os funcionários acabaram atingidos por vapores de gás que vazaram da seção de curtume.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros sul-mato-grossense, coronel Ociel Elias, 28 pessoas foram socorridas com fortes sintomas de intoxicação. O Marfrig distribuiu nota, no início da tarde, informando que "a causa do acidente está sendo apurada". "Informações preliminares indicam que houve reação química decorrente de manipulação de insumos inerentes da atividade de curtume. (...) A unidade frigorífica próxima do curtume não foi atingida pelo acidente", disse.

Segundo os bombeiros, o desastre aconteceu no momento em que um caminhão-tanque descarregava ácido dicloro-propiônico em um depósito subterrâneo de gás. Houve uma reação química quando o produto alcançou uma substância ainda não identificada no tanque subterrâneo, provocando uma explosão abafada. Em seguida, começou o vazamento.

Um grupo de 30 a 35 trabalhadores estava nas proximidades do caminhão-tanque, quando o gás começou a escapar. Dez ou12 pessoas sofreram desmaios, entre as 28 encaminhados aos hospitais. As quatro vítimas que morreram acompanhavam o descarregamento de um local alto e foram surpreendidas pelo gás. Uma ainda tentou descer por uma escada, mas, antes de pisar nos primeiros degraus, desmaiou e caiu. A empresa tem cerca de 300 empregados em Bataguaçu. Os mortos são Marcos Vinícius de Melo, de 20 anos, Edmar Filisbino da Silva, de 34, Valdir Henrique Raimundo, de 29, e Kal Matheus Luft, de 21.

Quase 200 parentes de empregados do frigorífico ficaram grande parte do dia na frente da Santa Casa, em busca de informações. À noite, 15 pessoas permaneciam internadas - quatro em Presidente Prudente, onde ainda recebiam atendimentos médicos, após chegarem em estado grave. Até as 19 horas, o quadro clínico de todos eles era estável.

Outros vazamentos. Em 24 de setembro de 2008, uma explosão na Unidade de Tratamento de Óleo de Furado, da Petrobrás, matou quatro operários, em São Miguel dos Campos, a 70 quilômetros de Maceió. No caso mais grave registrado no País, 42 pessoas morreram na explosão do Osasco Plaza, em 11 de junho de 1996. Ela foi causada por um vazamento na tubulação de gás.

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