Gás tóxico de espuma causou mortes, diz perícia

O delegado Marcelo Arigony, que comanda as investigações sobre a tragédia em Santa Maria, afirmou ontem que a espuma inflamável colocada no teto do palco da boate Kiss, de uso proibido como isolante acústico por leis municipal e estadual, foi a causa da morte dos 235 jovens. A perícia da Polícia Civil realizada ontem com o Instituto-Geral de Perícias e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Rio Grande do Sul constatou que o gás cianídrico liberado na queima da espuma intoxicou a maior parte das vítimas - 178 delas tinham entre 18 e 26 anos.

O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2013 | 02h00

"Se a espuma não estivesse lá, os jovens não teriam morrido", afirmou o delegado. A espuma foi colocada acima do palco por um funcionário da casa em agosto, após abaixo-assinado de 87 vizinhos que reclamavam do barulho do estabelecimento nas madrugadas de domingo.

A espuma foi colocada logo abaixo do teto, como terceira camada de um sistema de isolamento acústico indicado pelo Ministério Público e que deveria ter apenas gesso e cera em vidro. "O resto do isolamento ficou intacto, só a espuma pegou fogo", disse o delegado regional.

A defesa de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da boate, admite que ele colocou a espuma sem comunicar a Prefeitura ou os bombeiros. Mas argumenta que o uso foi indicado por uma empresa de engenharia, até agora não identificada por Kiko. A polícia disse ter ouvido um funcionário da casa relatar que colocou a espuma em agosto, por ordem do proprietário. /D.Z.

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