Garotos de programa no alvo do tráfico

Polícia da Espanha desbaratou ontem rede de prostituição que usava brasileiros; alguns seguiam para a Europa querendo ser modelo

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2010 | 00h00

A Polícia Nacional da Espanha anunciou ontem, em Madri, ter desbaratado uma rede de prostituição de brasileiros que atuava em ao menos quatro cidades, explorando cerca de 80 vítimas - 64 homens e 16 mulheres e travestis. A quadrilha, formada por 16 pessoas - a maioria também de brasileiros -, traficava homens na faixa dos 20 anos, para então obrigá-los a se prostituir para saldar dívidas de viagem superiores a ? 4 mil.

As identidades dos exploradores e das vítimas não foram divulgadas nem entrevistas foram permitidas ontem. O bando foi descoberto depois de uma investigação realizada desde fevereiro nas cidades de Palma de Mallorca, Barcelona, Leon e Alicante.

Conforme comunicado da Polícia Nacional, as vítimas da exploração tinham entre 22 e 29 anos. Os homens eram trazidos para a Europa depois de serem recrutados no Maranhão. Dentre os jovens, 17 seriam ilegais. Para viajarem, recebiam passagens adquiridas com cartões de créditos falsos.

Uma vez na Espanha, recebiam um kit com cocaína e medicamentos vasodilatadores, como Viagra, que aumentam a potência sexual. Então eram obrigados a se prostituírem para saldar as dívidas da passagem e da hospedagem - no valor de ? 200 por mês -, além de outras despesas. Cada programa rendia aos exploradores cerca de 50%. Os jovens também eram instruídos a venderem drogas para os clientes, que eram captados "por meio de anúncios em classificados de jornais e em diferentes páginas de internet, onde as fotos dos rapazes eram exibidas", observou a polícia.

De acordo com o relato das vítimas, seus exploradores os obrigavam a "trabalhar 24 horas por dia" para ressarcir as dívidas. Os integrantes da quadrilha serão indiciados por crimes como exploração sexual e tráfico de drogas. Se colaborarem com a investigação, os jovens trazidos para a Europa poderão receber permissão de residência na Espanha.

Bailarinos. Algumas das vítimas sabiam que iriam para a Europa para se prostituírem, mas não tinham noção das condições em que ficariam. Outros jovens viajavam após ser convencidos de que trabalhariam como bailarinos ou como modelos.

Ao chegar, eram levados para apartamentos com duas ou três camas, em que dormiam até seis pessoas. A rede reunia grupos em um pequeno salão, em que eram apresentados aos clientes - em sua maioria, homens entre 20 e 65 anos. /

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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