Garoto suspeito de pilotar jet ski falta a depoimento

Decisão foi tomada por medo de represálias e assédio da imprensa; testemunha teria filmado momento do acidente

REGINALDO PUPO , ESPECIAL PARA O ESTADO , BERTIOGA, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2012 | 03h04

O adolescente de 13 anos acusado de atropelar e matar com jet ski em Bertioga a menina Grazielly Almeida Lames, de 3, não foi ontem à delegacia da cidade para depor. O acidente ocorreu sábado na Praia de Guaratuba. A criança, que estava conhecendo o mar, morreu de traumatismo craniano e foi enterrada na segunda-feira em Artur Nogueira, no interior, onde morava.

Segundo o delegado Maurício Barbosa Junior, a decisão foi tomada pelo advogado da família do adolescente, Maurimar Bosco Chiasso, por temer o assédio da imprensa e possíveis represálias, que poderiam ameaçar sua integridade física. O delegado não descartou possibilidade de o depoimento ser em outra cidade ou por carta precatória (à distância), o que pode levar até seis meses. "Mas espero que isso não seja necessário, pois há acordo para que o depoimento seja prestado aqui, olho no olho", diz, afirmando que o jet ski não passou por perícia porque há necessidade de um perito com conhecimentos náuticos.

Cinco testemunhas já prestaram depoimento. O caseiro do condomínio de luxo onde o adolescente estava hospedado, Erivaldo Augusto Cardoso, foi ouvido um dia após o acidente. E disse à polícia que o adolescente solicitou que ele recolhesse o jet ski. "O caseiro afirmou que estava de costas para o mar, dando ré com o quadriciclo para recolher o jet ski, ainda na água, quando ouviu gritos de socorro e viu o adolescente e outro rapaz nadando em direção ao aparelho", disse o delegado. "Ele não afirma com total certeza, mas deixa claro que o adolescente e um amigo estavam no jet ski." Ainda segundo o delegado, o caseiro afirmou que foi ameaçado por duas pessoas duas horas após o acidente.

Ontem foi a vez de os pais e dois tios de Grazielly prestarem depoimento. Emocionada, a mãe de Grazielly, Cirleide Rodrigues de Lames, lamentou que a família do adolescente não tenha entrado em contato. E criticou a demora no resgate. A ambulância teria levado 40 minutos para chegar à Praia de Guaratuba, que fica a 27 km do centro de Bertioga. Os primeiros socorros foram prestados por banhistas, entre eles um médico.

O advogado da família de Grazielly, José Beraldo, prometeu apresentar hoje uma testemunha que teria filmado o acidente. Ele disse não ter dúvida de que o adolescente pilotava o jet ski. "Testemunhas informaram que ele até usava colete salva-vidas. É um menor infrator."

O caso está sendo investigado como homicídio culposo (sem intenção). E o delegado não soube dizer quem é o dono do jet ski. "Sabemos que o dono da casa onde o adolescente estava hospedado se chama Luiz Augusto Cardoso. No jet ski há inscrição com a palavra Augusto, o que pode indicar que o dono seja o mesmo."

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