Garota descreve o despertar do amor

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, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2010 | 00h00

Escrito com caligrafia caprichada e sem rasura, o diário de Lore é testemunha de descobertas, alegrias e inseguranças da garota. A sensível estudante alemã - que conhecia Goethe e escrevia poemas em francês em momentos de tristeza - tinha 13 anos e descobria o amor.

Era março de 1941 quando Lore decidiu, após tentativas de "sete garotos", que finalmente "diria sim!" - para um bem-educado rapaz chamado Bernard. "Todas as meninas me invejam, todas acham ele bonitão. Ele é terrivelmente simpático." O rapaz tinha "muito boas maneiras", o que certamente "tranquilizaria sua mãezinha". Bernard a acompanhava "fielmente" à escola todo dia e, na manhã de 9 de abril, com três amigos, fez uma serenata para ela. Em 1.º de abril, o casal "deu as mãos" pela primeira vez. O romance, porém, durou apenas um mês. É interrompido pelo repentino "sumiço" do rapaz, "sem se despedir, sem dizer adeus".

"Como posso entender isso? Ele estava mesmo tão impedido?", questionava Lore, em 30 de abril de 1941. Outro mês se passara, e o amor interrompido ainda lhe doía. "Sozinha... Uma eternidade... Será que tem outra? Você compreende, caro diário, a palavra "sozinha"? Sem amor?", escreveu, em 26 de maio, pedindo perdão pelos "garranchos". Encerrava a entrada com uma desejosa pergunta: "Será que sonharei com ele?"

Cinco meses mais tarde, depois de ficar "doente e super chateada", Lore desiste. Conhece Joseph Devos, "um ano mais velho, lindo, charmoso, um verdadeiro cavalheiro". A varanda de suas casas ficavam uma na frente da outra, o que permitia "se enxergarem através de binóculos". "Joseph Devos, um nome tão pouco poético para um amor tão romântico...", suspirou.

Os momentos da vida pessoal da garota são considerados menores pelos historiadores. "É uma parte que poderia ser escrita por qualquer adolescente do século 20, obsessiva pelos garotos", disse o professor Richard J. Evans, de Cambridge. Ainda assim, ressalva a professora da USP Maria Luiza Tucci Carneiro, "apresentam detalhes que os tornam representativos da adolescência na época".

À medida que 1941 chega ao fim, embora Bernard reapareça - enviou carta da Holanda, para onde se mudara -, o círculo de amigos de Lore se estreita. Pessoas próximas começam a "partir". Lore lamenta e, lembrando-se da guerra, enfim deixa de falar de seus amores.

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