Garota de 16 anos atropela 4 no Guarujá

Menina não socorreu vítimas e teria pedido para o guarda dispensá-la logo porque precisaria viajar para os EUA

15 de novembro de 2007 | 18h34

Uma adolescente de 16 anos que dirigia um Corolla em alta velocidade atropelou quatro pessoas no final da tarde de quarta-feira no Jardim Helena Maria, no Guarujá, na Baixada Santista. Duas vítimas permanecem hospitalizadas com fraturas graves, mas não correm risco de morte. A menina não socorreu as vítimas e teria pedido para o guarda dispensá-la logo porque precisaria viajar para os Estados Unidos. Divulgação O garçom Pedro Ricardo Lopes, de 18 anos, foi atingido pelo carro, sofreu fraturas expostas na perna e no joelho esquerdo e perdeu parte da musculatura. Ele foi submetido a uma cirurgia de emergência no hospital Santo Amaro e deve ser operado novamente, para colocar pinos na perna. De acordo com o seu primo, Emerson Correia de Almeida, de 21 anos, o jovem ficou bastante debilitado. "Ele está com trinta e poucos pontos na perna, e deve voltar a andar, mas vai levar tempo". Almeida estava no local na hora do acidente e também foi atingido. Ele e o primo haviam ido buscar o carro comprado há três semanas em uma loja que instala equipamento de som. "Na hora eu estava dentro do carro mexendo no rádio e meu primo encostado na porta, daí o carro veio e atingiu a gente". Almeida, que assim como o primo trabalha como garçom na churrascaria da família, sofreu um corte na perna, bateu a cabeça e desmaiou. Ele foi atendido pelo resgate, levado ao hospital, mas não chegou a ficar internado. As outras duas pessoas que foram hospitalizadas são Nelson Santana, de 46 anos, proprietário da loja de equipamento, que sofreu escoriações e teve alta na quinta de manhã; ea cabeleireira Nivia Pastora da Silva Braga, de 34 anos. Ela fraturou a tíbia em três lugares e será submetida a uma cirurgia para colocar um pino na perna. "Ela está muito machucada, com o rosto inchado e preocupada porque não vai poder trabalhar tão cedo", afirmou a massoterapeuta Denise Aparecida Prado, de 44 anos, que trabalha no mesmo salão de beleza que Nivia. Denise conta que tinha ido com a amiga comprar o lanche da tarde e que assim que chegou ao salão, entrou para atender uma cliente enquanto Nivia ficou na porta, conversando com Nelson, dono da loja de som ao lado do salão. "Daí eu ouvi um barulho, corri e vi cada um jogado para um lado e muito sangue", descreveu. A massoterapeuta afirma que o que mais a espantou foi a frieza da motorista. "O cara da lanchonete perguntou: `menina, por que você fez isso?' Ela respondeu: Essas coisas acontecem'". Segundo ela, a jovem estava com outros quatro adolescentes no carro e ficou sentada na calçada, sem ajudar. "Ela ainda falou para o guarda liberá-la o mais rápido possível porque ela tinha um vôo marcado para os Estados Unidos naquela noite". A adolescente N.O.N.D. mora no bairro do Itaim, na zona Sul de São Paulo, e estaria passando o feriado na casa dos avós, no bairro das Astúrias. Na delegacia, a jovem alegou ter pego o carro escondido de seus responsáveis e afirmou que não pretendia lesionar ninguém ou causar danos materiais. O acidente destruiu o Gol de Almeida e um Siena que também estava estacionado na frente da loja. A adolescente foi dispensada depois que os responsáveis assinaram um termo. Foi registrado um ato infracional de lesão corporal culposa que agora será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude para a apreciação do juiz. A reportagem entrou em contato com a família da jovem, em São Paulo, que recusou a dar entrevista.

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