Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Gargalos no fim da serra devem tumultuar o verão

Maioria das obras para facilitar chegada e saída na região ainda está em discussão; prefeitos pedem viadutos e fim de semáforos

Diego Zanchetta, Márcio Pinho e Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A construção do Trecho Sul do Rodoanel e o desenvolvimento trazido pelo crescimento do Porto de Santos e pelas descobertas de petróleo não foram acompanhados de obras para acabar com cinco importantes gargalos para chegar ao litoral sul ou sair dele.

Os problemas se repetem geralmente em épocas de safra e de grande presença de turistas. Já as soluções estão, em sua maioria, ainda em discussão ou fase de projeto.

É o caso do trecho da Imigrantes em São Vicente, onde há seis cruzamentos com semáforos que travam o trânsito. Em dias de retorno a São Paulo, os motoristas chegam a desligar o carro a quilômetros de distância do local, na Praia Grande. Neste ano, o problema já ocorreu em agosto, na baixa temporada.

A criação de viadutos para eliminar os semáforos está em fase de elaboração de projeto executivo por empresa contratada pela prefeitura com verba estadual.

A Cônego Domenico Rangoni, estrada que liga Imigrantes e Anchieta ao Guarujá, também tem projetos previstos para eliminar cruzamentos. Um deles, a construção de um viaduto na altura de Vicente de Carvalho, é um dos poucos projetos em andamento. Tocado pela Ecovias, é uma das contrapartidas previstas no contrato de concessão. A previsão de conclusão é dezembro de 2011. Segundo a Ecovias, todas as intervenções previstas para o sistema estão no prazo.     

A prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), diz que os governos do Estado e federal e a Ecovias discutem as soluções com a cidade e espera o andamento de projetos após as eleições. "As obras de infraestrutura estão chegando, mas elas têm de ser aceleradas diante da nova demanda que o Rodoanel nos trouxe."

Segundo a prefeita, os gargalos ainda devem ser sentidos neste verão, mas as próximas temporadas deverão ser melhores.

Outras tentativas de melhorar a fluidez na região consistem em facilitar os trajetos dos caminhões em direção aos terminais portuários de Santos e Guarujá e assim beneficiar também carros e ônibus.

Em Cubatão, por exemplo, a passagem de caminhões da Anchieta para a Cônego Domenico Rangoni é problemática, por conta das curvas fechadas nas alças de acesso. Isso faz os caminhões passarem por ali em baixa velocidade. A Ecovias tem um estudo para intervenção no local e o apresentará as prefeituras.

Mais adiante, na entrada de Santos, os caminhões travam a Anchieta tentando acessar um viaduto que leva ao Porto. Segundo o prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), a criação de marginais na Anchieta permitiria um acesso mais rápido dos caminhões aos bairros vizinhos, onde há diversos terminais portuários. O projeto da prefeitura é analisado pelo Estado.

Para o prefeito, em vez de uma ameaça, o Rodoanel pode trazer uma melhora do trânsito - ele permitiria que os caminhões escolhessem o melhor horário para viajar entre o interior e Santos, uma vez que podem evitar completamente os congestionamentos e restrições de horário na cidade de São Paulo.

Perimetrais. Outra obra estratégica é a construção de avenidas perimetrais. Hoje o caminhão ainda tem de parar para o trem passar em alguns trechos do Porto. Uma das expectativas com a perimetral de Santos e do Guarujá, ainda em projeto, é estimular o transporte ferroviário de carga.

A Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo diz que tem outros projetos em andamento, como a construção da Ponte Santos-Guarujá, que entra em fase de licenciamento ambiental. A promessa de uma nova ligação entre as cidades, hoje feita por balsa, é antiga e outros projetos já ficaram só no papel.

 

 

 

 

 

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