Garçom-herói acabou preso na embarcação

Hadnilton de Oliveira ajudou várias pessoas na hora de pegar os coletes, mas não conseguiu sair quando o barco virou

, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Depoimentos feitos na 10.ª DP, encarregada do inquérito que investiga o naufrágio do barco Imagination, mostram relatos de heroísmo. O mais notável deles é o do garçom Hadnilton José de Oliveira, que trabalhava na embarcação. Bom de natação e experiente no serviço, ele ajudou várias pessoas a pegar o colete e cair na água. Em seguida, pegou um para si, mas antes de sair jogou no lago engradados de bebida, móveis e objetos para reduzir o peso do lado que afundava. Mas o barco virou e ele ficou preso entre os objetos. É um dos desaparecidos.

"Era um bom filho, trabalhador e muito amado", descreveu a mãe, Herculana Gonçalves Lisboa. "A esperança é a última que morre, mas as evidências de que esteja vivo são mínimas a essa altura", disse ela, no final do dia de buscas. Separado, pai de um filho, Hadnilton trabalhava havia cerca de três anos em festas. As de que mais gostava eram justamente as realizadas em barcos, segundo descreveu Valdemir de Oliveira, pai do garçom.

O terceiro corpo resgatado ontem, o da menina Ester Araújo de Oliveira, idade não informada, também traz uma história de dor. Ela era filha única e os pais sobreviveram no naufrágio. Segundo testemunhas, quando o barco começou a afundar, a menina ficou separada dos pais por uma longa mesa. Tentou pulá-la, sem sucesso.

A tragédia só não foi maior porque algumas embarcações que transitavam por perto chegaram rápido e ajudaram os passageiros, começando pelos que tinham dificuldade em nadar e os que estavam em pânico.

Fiscalização. Há exatamente um ano, um acidente com uma lancha causou a morte de duas irmãs no Paranoá. O piloto estava embriagado e ninguém usava colete salva-vidas. Desde então, a Capitania dos Portos intensificou as blitze na área, triplicou as apreensões de barcos e adotou medidas preventivas.

Mas o efetivo é muito pequeno para o lago, que tem mais de 48 km2 de área e concentra a terceira maior frota de barcos de recreio do País. "Nenhum esquema de fiscalização é infalível", observou o comandante Rogério Leite, chefe da Delegacia Fluvial. "É preciso trabalhar a consciência das pessoas para que não cometam tanta imprudência", afirmou.

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