Garcia recebeu doação de 5 fiscais suspeitos

Cinco auditores fiscais acusados de integrar a quadrilha que fraudava impostos na Prefeitura de São Paulo deram cheques no valor de R$ 2 mil cada um para a campanha a deputado federal em 2010 do atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM). À época, ele havia se licenciado de uma secretaria na gestão Gilberto Kassab (PSD), seu ex-sócio e ex-aliado, para disputar a eleição.

O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2013 | 02h13

Os auditores fiscais Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, Eduardo Horle Barcellos, Fábio Camargo Remesso, Leonardo Leal Dias da Silva e Ronilson Bezerra Rodrigues, todos acusados de integrar a quadrilha, compraram convites para um jantar da campanha de Garcia, que ocorreu no Ibirapuera Park Hotel, na zona sul da capital. Outro que contribuiu com R$ 2 mil para o atual secretário de Geraldo Alckmin (PSDB) foi Douglas Amato, subsecretário da Receita na gestão Fernando Haddad (PT).

Garcia, que rompeu com Kassab em 2011, é irmão do empresário Marco Aurélio Garcia, investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por suposta lavagem de dinheiro na venda de flats para os fiscais suspeitos. Lello, como é conhecido, é o locatário do imóvel no centro da capital onde os fiscais fechavam os negócios. No local, chamado de "ninho", o MPE encontrou R$ 88 mil num cofre. Lello nega qualquer irregularidade.

Ao Estado, Rodrigo Garcia disse que "é praxe em campanhas eleitorais a realização de jantares para apresentar ideias e arrecadar recursos", mas negou ser amigo dos fiscais. "O relacionamento (com os fiscais) é de quem foi secretário por três anos na Prefeitura. O único que conheço a fisionomia é o Ronilson, por causa do cargo relevante que ele ocupava", disse.

Deputado licenciado, ele afirmou que o interesse dos fiscais em contribuir com sua campanha deve ter surgido após uma palestra que fez no sindicato da categoria, em 2010, como secretário municipal de Desburocratização. Garcia disse ainda que não tem nenhuma relação comercial com seu irmão e que é o maior interessado no esclarecimento da relação de Lello com os fiscais suspeitos. "O Ministério Público já disse que não há nenhum elemento que implique meu nome com a quadrilha", afirmou. / A.R., B.R., D.Z. e F.L.

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