Garagens vizinhas a Cumbica e Congonhas lucram com lotação

A dor de cabeça que é estacionar nos aeroportos de São Paulo está longe de ser resolvida. Os 42 mil passageiros por dia de Congonhas têm à disposição 2.970 vagas - se apenas 7% das pessoas que voam pelo aeroporto decidirem chegar lá de carro, já encontram placa de "lotado" na porta. A superlotação é comum nos dias de semana pela manhã. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) afirma que a demanda diária é de 3 mil veículos por dia.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

A oferta ainda fica menor quando se subtrai da conta as 399 vagas - cerca de 10% do total - destinadas a funcionários, mensalistas e taxistas que formam fila de espera quando não há mais vagas especiais de táxis disponíveis. Nem de madrugada o estacionamento fica vazio: cerca de 500 passageiros diariamente deixam o carro no pernoite de Congonhas, segundo dados da Infraero. A diária cobrada pela SAO Parking, administradora do edifício-garagem, é de R$ 61.

Quem ganha são os estacionamentos ao redor, nas imediações da Avenida Washington Luís (Congonhas) ou da Rodovia Hélio Smidt (Guarulhos). "Pelo menos 80% do movimento aqui é de pilotos, comissários e passageiros", diz o atendente de um estacionamento que serve Congonhas e cobra R$ 8 por hora ante os R$ 11 que se paga no aeroporto. E ainda tem promoção: um "pacote" de três dias custa R$ 90, e fica mais barato com o passar dos dias.

Em Guarulhos, os estacionamentos adjacentes ao aeroporto oferecem desde traslado gratuito até o aeroporto até pontos em programas de milhagem de companhias aéreas. Todos têm tarifas mais baixas que o estacionamento de Cumbica, que cobra R$ 7,50 a hora e R$ 31 a diária. Lá, as 2,9 mil vagas (mesmo número de Congonhas, para um aeroporto com o dobro do movimento) dos terminais 1 e 2 servem passageiros e 10% dos funcionários mensalistas. Além disso, há cerca de 5,8 mil pernoites por mês.

Mesmo com a saturação, a Infraero diz que um novo edifício-garagem está fora dos planos de Congonhas. Em Cumbica, os planos existem, mas estão parados: a licitação para o novo estacionamento foi suspensa há um mês a pedido das empresas interessadas. O novo estacionamento pretende triplicar o número de vagas nos próximos três anos.

PARA LEMBRAR

Como se não bastasse um aeroporto sem vagas, uma delas está ocupada desde 2008 - e não tem data para desocupar. O cantor Belchior sumiu em agosto daquele ano e deixou seu carro, um Sonata Hyundai, em uma das vagas do edifício-garagem de Congonhas. A administração colocou o veículo no estacionamento externo. Belchior foi "encontrado" há dois anos no Uruguai pela TV Globo, mas para Congonhas não voltou. A dívida dele com a administradora SAO Parking passa dos R$ 52 mil - a empresa não informou o valor exato.

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