Gangue do notebook ataca na Marginal

Um caso é registrado na Pinheiros a cada 48 horas; taxistas alertam passageiros para não ostentar objetos de valor nos congestionamentos

Camilla Haddad, do JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

 

Mais uma onda de assaltos tem assustado motoristas no congestionamento da Marginal do Pinheiros. Armados, ladrões param em motos - uma de cada lado do carro - e exigem sobretudo notebooks. Também levam celulares, relógios, joias e dinheiro. Desde o dia 1º deste mês, houve 12 roubos dessa forma. Oito das vítimas estavam em táxis e as demais, em carros próprios. Antes, os criminosos atacavam a pé.

 

O ponto mais crítico está entre as pontes do Morumbi e Eusébio Matoso, sentido Castelo Branco, principalmente entre 18h e 20h. O número de casos pode até ser maior, pois não há estatísticas oficiais específicas dessa modalidade de crime. Nos crimes, a vítima é pega de surpresa e tem todos os seus pertences roubados. A ação dura segundos e os ladrões fogem em meio aos carros parados no trânsito.

 

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O Sindicato dos Taxistas de São Paulo afirma que os motoristas estão preocupados e têm orientado passageiros a não ostentar objetos de valor. Entre as vítimas estão economistas, engenheiros, analistas de sistemas e dois administradores de empresa - um suíço e outro americano. Eles foram obrigados a entregar o que tinham.

 

Um dos casos recentes envolve uma economista. No dia 2, assaltantes cercaram o táxi em que ela estava, às 18h45. Armados e sobre duas motos, a dupla levou celulares, equipamentos para computador e cartões bancários. Um dia antes, às 20h25, outra vítima teve o táxi em que viajava cercado também por duas motos Falcon. Criminosos roubaram um notebook, celular e cartões de banco.

 

Um bancário que dirigia o próprio carro também enfrentou apuros na marginal. Assaltantes emparelharam ao lado de seu carro quando o trânsito parou, entre as pontes Estaiada e Morumbi. Segundo ele, um vendedor de castanhas o alertou sobre a ação de bandidos que tinham acabado de roubar uma mulher na mesma via. "Mas só deu tempo de fechar o vidro, olhei pelo retrovisor e eles já pediram minha pasta, com netbook e levaram meu relógio. Um deles colocou a arma na minha cabeça."

 

O presidente do Sindicato dos Taxistas, Natalício Bezerra, contou que esse tipo de problema tem sido apresentado pelos taxistas nos últimos meses com mais intensidade. "É claro que eles estão mais assustados e pedindo aos passageiros para não ostentar objetos de valor." Para Bezerra, há duas hipóteses para os crimes: falsos motoristas esperam nas portas de aeroportos; ou ladrões que observam passageiros embarcando no táxi e, em seguida, se comunicam com um comparsa.

 

Problema antigo. Em maio do ano passado, o jornal noticiou que criminosos a pé se misturavam a vendedores ambulantes para assaltar motoristas na Marginal do Pinheiros, na região do Morumbi, zona sul da cidade.

 

Na ocasião, a Polícia Militar da área identificou o problema em dois trechos e reforçou a vigilância no local 24 horas. Um dos mecanismos usados pela corporação foi o uso de policiais em motocicletas, já que o crime era praticado em corredores.

 

Em quatro meses, pelo menos dez casos tinham sido registrados nos distritos policiais da cidade. No mesmo trecho também havia episódios em que menores quebravam o vidro do veículo para roubar bolsas, celulares e carteiras, principalmente das mulheres. Uma pessoa foi presa naquele ano. Os ataques também costumavam ocorrer quando os carros paravam no congestionamento, só que no sentido Interlagos.

 

Já os horários das abordagens ficavam entre 18h e 19h. Em um dos casos, uma mulher que estava saindo de um shopping foi jogada para fora de seu veículo com duas amigas e teve a bolsa levada por dois jovens.

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