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'Gangue das vovós' entra na mira da polícia de São Paulo

Bem vestidas e falando até castelhano, idosas levaram cartão de médica e ovos de padaria

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

28 Março 2012 | 03h01

Quando entraram em uma padaria de Moema, na zona sul de São Paulo, poucos imaginavam que três idosas muito bem vestidas pudessem praticar crimes. Mas, enquanto almoçavam, elas furtaram o cartão de uma cliente e ainda colocaram três ovos de Páscoa e bebidas nas bolsas, antes de sair do local, na Avenida dos Eucaliptos. A "gangue das vovós" só pagou mesmo a conta do bufê e seguiu para o Shopping Ibirapuera, onde gastou R$ 900 em roupas de grife.

A mesma gangue também é investigada por envolvimento em outro furto, em um restaurante por quilo do mesmo bairro, no início do ano. No crime mais recente, registrado na tarde do dia 20, as idosas foram gravadas por câmeras de segurança. Horas depois, uma médica voltou à padaria para reclamar a falta de seu cartão. A Polícia Civil já assistiu às imagens e abriu inquérito para investigar a gangue. Só ontem, mais dez denúncias chegaram para investigadores do 96.º DP (Brooklin).

Era por volta de meio-dia quando as idosas chegaram à padaria. Aparentando 60 anos, elas usavam bolsas de marca, óculos escuros e uma delas vestia tailleur. As imagens mostram que, após se servirem, escolheram uma mesa perto da vítima. Uma das suspeitas, então, mexe na própria bolsa, que estava na cadeira, mas pega a da cliente e depois a devolve. Depois de comer, as três seguem para o balcão de pães e doces. Uma delas pega bebida e outra furta ovos de uma mesa - cada um custa cerca de R$ 55. Chicletes também foram furtados do caixa. Detalhe: bem à frente delas, na fila, estava a médica.

"Elas pareciam acima de qualquer suspeita", diz o delegado do 96.º DP, Eduardo Camargo Lima. Ele explica que, nesse episódio, as idosas escolheram só o cartão sem chip da carteira da médica, pois não é necessário digitar senha para fazer compras. A médica chegou a pensar que tinha esquecido o cartão em casa, mas depois viu que havia sido furtada.

Segundo o delegado, já se sabe que uma das idosas falava castelhano. Camargo Lima ressaltou já ter três suspeitas do crime. "São acusadas cujas fotos constam de nosso álbuns e têm semelhança com as que aparecem nas imagens."

Cancela. O proprietário da padaria, que não quis ser identificado, contou que seus funcionários não desconfiaram das idosas. "Elas estavam arrumadas, tipo peruas", lembra. Ele disse que as três pagaram a conta em dinheiro e não costumam frequentar o local.

Mesmo assim, o proprietário, que abriu o comércio há quatro meses em Moema, agora pretende colocar cancelas para registrar a entrada de clientes. Segundo ele, outras pessoas já saíram da casa sem pagar a conta.

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