Gangue ataca em passarela perto de Congonhas

Foram 15 assaltos neste ano contra pedestres, principalmente funcionários de empresas aéreas; PM reforçou policiamento

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

Comissários de bordo, agentes de viagem e outros profissionais têm sido assaltados na passarela sobre a Avenida Washington Luís, na frente do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Na maioria dos casos, o ladrão é adulto e ameaça a vítima com uma arma de fogo, mas há casos de ataques de adolescentes com canivetes. Quinze ocorrências foram registradas desde o começo do ano, três delas na semana passada.

Desde ontem, a Polícia Militar reforçou o policiamento no local. Agora, duplas de PMs caminham pela passarela nos horários considerados de maior movimento, como às 7h e às 20h. Os soldados também têm voltado atenção para a Rua Baronesa de Bela Vista. Ali, segundo a corporação, funcionários do aeroporto estacionam seus carros.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas disse já ter recebido relatos dos assaltos. Como prevenção, a entidade orienta os aeronautas a não passar sozinhos pela passarela, principalmente à noite. Em nota, o sindicato informou ainda que esses crimes sempre aconteceram e têm piorado nos últimos tempos. A entidade lamentou que o "único caminho" para as pessoas chegarem a Congonhas esteja tão inseguro.

Os dados obtidos pela reportagem mostram que as principais vítimas dos assaltantes são funcionários de empresas aéreas. Geralmente, eles estão de uniforme, carregam malas e até notebooks. São de outros Estados e precisam passar a noite em São Paulo após um dia de trabalho.

Van. Também como forma de prevenção, o Ibis Hotel, na Rua Baronesa de Bela Vista, que recebe muitos tripulantes de empresas aéreas que operam em Congonhas, oferece vans de 15 em 15 minutos para hóspedes.

Seguranças do aeroporto ouvidos pela reportagem dizem que alguns adolescentes costumam ficar na calçada do aeroporto para escolher suas vítimas. Os funcionários dizem que diariamente ouvem relatos de homens e mulheres abordados por assaltantes. Quem circula pela região sente medo. "De noite a situação é bem pior. Eu passo correndo e segurando a bolsa", conta a atendente Roberta Borges, de 35 anos, que usa a passarela para chegar ao ponto de ônibus.

Ataque. Um dos últimos casos aconteceu na tarde de quarta-feira da semana passada. Uma aeromoça de 25 anos, de Londrina (PR), andava pela passarela quando foi surpreendida por três adolescentes, aparentando terem entre 14 e 16 anos. Os adolescentes disseram estar armados. A vítima conta à polícia que eles usavam roupas rasgadas e levaram seu crachá da empresa, a carteira e o celular. Outro comissário teve uma arma encostada nas costas por um adulto e teve de entregar uma pasta. Em março, um corretor foi surpreendido por um rapaz forte que exigiu sua carteira, onde havia R$ 600. Ele chegou a ver um revólver.

A Infraero diz que quando tem conhecimento de casos avisa a Polícia Militar por meio de seus seguranças, mas que não pode interferir em uma área pública como a passarela. O delegado responsável pelo 27.º DP (Campo Belo) disse que comentaria os casos somente hoje.  

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