Galo do Recife com sombra e água fresca

Público agora pode assistir à passagem do bloco em camarotes com comida e bebida; preços vão de R$ 100 a R$ 300

ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2013 | 02h04

Acompanhar o Galo da Madrugada, famoso por arrastar mais de um milhão de pessoas em seu desfile no sábado de carnaval pelo centro do Recife, já não é sinônimo de sol inclemente, suor, aperto e tumulto. O Galo - que neste ano faz seu 36.º desfile por um percurso de 5 km durante mais de nove horas - pode ser desfrutado em ambiente climatizado, com bufê, bebidas e até massagem relaxante. Os camarotes têm aumentado em número e capacidade para atender quem quer fugir da confusão e também os jovens que não são tão ligados em frevo, mas querem participar do maior evento do carnaval pernambucano.

Antes, somente convidados vips da organização do desfile ou de empresas que montavam camarotes ao longo do trajeto tinham direito à mordomia.

De olho neste nicho, um grupo de empresários ligados a produção de eventos lançou um complexo de quatro camarotes - Recife 2013, Aloha Delux, Harém do Galo e Galo Premium - com total de dez mil ingressos, que esgotaram.

À exceção do Premium, que custa R$ 100, os outros três (custo individual de R$ 250 a R$ 300) oferecem shows com bandas de musica pop, samba e forró, além de DJs para animar a moçada com música eletrônica entre as passagens dos trios elétricos.

"Vou acabar com a minha frustração", assegura Cecília Borba, de 32 anos, gerente de uma clínica de saúde. "Sou pernambucana, adoro carnaval e nunca fui no Galo." Segundo ela, por medo. "Via o desfile pela televisão e nunca tive coragem de entrar naquela confusão. Agora vou ver e curtir o Galo com conforto e segurança", vibra. Ela vai com amigos ao camarote Harém do Galo.

O Galo começou pequeno, criado pelo carnavalesco Enéas Freire (1921-2008) com o intuito de reativar a brincadeira de rua em um momento de decadência da festa pernambucana, em 1978. Cresceu, entrou no livro dos recordes, o Guinness Book, como o maior bloco do mundo em 1995 e virou alvo da mídia nacional e internacional.

Presidente da agremiação, Romulo Menezes não é contra os camarotes, especialmente pela procura dos turistas de fora do Estado. "É uma forma de atrair pessoas que ainda não têm familiaridade com o nosso carnaval e que podem ficar em um lugar mais reservado."

Ele é totalmente contra, no entanto, transformar as ruas em passarelas, com as pessoas vendo o Galo passar. "O Galo é para ser vivido no chão."

Nicho. Tiago Welker, responsável pelo camarote Aloha Delux, diz ter visto nos camarotes a abertura de um campo de mercado para ser trabalhado nos próximos três anos. "Já temos atração contratada para 2014, a banda Garota Safada", antecipa. Para ele, a introdução do complexo de camarotes atende a uma demanda da juventude com dinheiro. O espaço é focado em música eletrônica, mas Welker garante que todos grupos vão dar uma palhinha de frevo. "Afinal, é o carnaval pernambucano, é o Galo."

O administrador Artur Pessoa de Queiroz, de 22 anos, vai pela terceira vez ao Galo. Nas duas primeiras foi convidado de camarotes de empresas. "A iniciativa de lançar os camarotes ao público foi muito boa. A festa do Galo é animada e é bom ter conforto."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.