Ricardo Ferreira/Divulgação
Ricardo Ferreira/Divulgação

Gal Costa encerra apresentações no Sesc Pinheiros com desejo de inovar

Com tour 'Espelho D'água', cantora mostra que sua inquietação pelo novo é para agradar a ninguém mais, além de si mesma

Gheisa Lessa, O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2015 | 20h31

Gal Costa quer sempre mais. É o que transparece com a nova leva de apresentações da turnê "Espelho D'água" realizadas nos últimos dias 22, 23, 24 e 25. A cantora investe nestas quatro performances no teatro do Sesc Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, após estrear o show há cinco meses, no Teatro J Safra, na zona norte da capital paulista. Na época, foram seis shows entre 1 e 10 de agosto, todos com entradas esgotadas.

Em entrevista ao 'Estado', a cantora revela que um desejo de mudança e experimentação tem feito com que realize alterações no repertório de seus shows. No J Safra, por exemplo, ela trocou "Gabriela" por "Tuareg". "Eu já fazia esse formato de show (voz de violão), em paralelo à turnê Recanto, mas estava cansada do repertório que vinha fazendo há tempos", explica.

Quem compartilha o palco com Gal é o violonista e guitarrista Guilherme Monteiro - que entrou de maneira inesperada em sua vida, ainda durante as apresentações de "Recanto", quando precisou substituir Pedro Baby nas guitarras. Assim como nos primeiros shows de "Espelho D'água", a artista apresenta Monteiro no Teatro Paulo Autran com admiração e discurso repetido "com seu violão, ele prepara a melhor cama pra eu deitar. Isso tudo na música, né, gente", brinca Gal. E na cama musical que Guilherme Monteiro prepara, ela deita, sim, e rola.

O show acontece de maneira informal e o tom intimista dá a sensação de que a plateia está sentada em uma sala de estar ouvindo a Profana cantar e contar histórias de carreira. Sabendo do que é capaz, Gal sai do grave para o agudo, em "Meu nome é Gal", do leve para o pesado de "Baby" para "Tuareg", hipnotiza e seduz, sem dificuldade, o público.

Na plateia de Gal jovens se misturam com fãs de mais idade. Estilos, cores de cabelo e até comportamentos são mistos. Muitos gritam, cantam junto e pedem bis enquanto outros preferem apenas ouvir com atenção todas as notas que ela tem para oferecer. Mas Gal, que se classifica como "alma jovem" e com "idade mental de 45 anos, às vezes 13", diz gostar mesmo é de plateia empolgada. "Cantar para jovem é bom demais, a energia é forte. A maturidade é boa, mas ser jovem é maravilhoso. Tem sido comovente ver a reação desse público durante o show com gritaria e paixão... É inesquecível".

É possível notar a juventude na alma de Gal quando apresenta "Você não entende nada" , de Caetano. A letra ambígua dá espaço para que ela brinque com a plateia, com gestos, risadas e jogadas de bola com duetos improvisados com os mais de mil fãs que ocupam as cadeiras do teatro lotado. Gal senta, fica em pé e, em alguns momentos, intercala dança e com toques de pandeirola. Em nenhum segundo nota-se desconformidade com as cordas tocadas por Monteiro que, na dele e sem ele, nada seria tão envolvente ou emocionante. 

Questionada se há relação entre escolher aumentar o número de apresentações da turnê para um ambiente como o Sesc, com preços mais baixos e tendência a atingir pessoas mais novas, Gal apenas revela que considera os teatros das unidades em São Paulo "ótimos e os preços acessíveis". As apresentações de Espelho D´água no J Safra tiveram ingressos de R$75 a R$200, enquanto no Sesc, as entradas variaram de R$18 a R$60.

Ainda para este semestre, Gal prepara um novo disco, o 26º de sua carreira, que levará o mesmo nome do tour Espelho D'água - título dado a uma canção escrita por Marcelo Camelo e seu irmão, Tiago, e que integrará a coletânea. O trabalho, segundo ela seguirá o tom desta "nova Gal". "Experimentar com novos sons nunca me assustou. Gosto muito do inusitado, do diferente. Gosto do que é vanguarda. E isso aconteceu com Recanto, com aspectos mais eletrônicos, aconteceu com esse show “Espelho D’água” e certamente fará parte da história do novo disco", revela. Além de Camelo, Gal interpretará no novo álbum músicas de Criolo com Milton Nascimento e uma inédita de Caetano Veloso. Outras parcerias são comentadas nos bastidores, porém a cantora não confirmou mais nomes à reportagem. 

Aos 69 anos, o que se vê de Gal Costa, que consegue conciliar uma turnê com a gravação de um novo disco e a função de mãe - o filho Gabriel estava presente tanto nos shows do Safra quanto no Sesc Pinheiros - é que agradar ao público, aos amigos e colegas de trabalho não basta. O que ela deseja e tenta, o tempo todo, é quebrar as próprias barreiras em busca de mais.

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