ED FERREIRA/AE
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Gafanhotos invadem cidades do interior de São Paulo

Insetos paralisaram atendimento em uma unidade de saúde de Rio Preto; em Sorocaba, assustaram animais em desfile de cavaleiros

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2015 | 17h36

SOROCABA - Infestações de gafanhotos chamam a atenção e assustam moradores em cidades do interior de São Paulo. Em pelo menos cinco municípios - São José do Rio Preto, São José dos Campos, Taubaté, Sorocaba e Votorantim - foram observadas grandes concentrações desse inseto. Como as aparições ocorrem em áreas urbanas, não há registro de prejuízos em lavouras. 

No final da tarde de sábado, 30, uma invasão de gafanhotos paralisou o atendimento em uma unidade da rede municipal de saúde de São José do Rio Preto, região norte do Estado. Durante quase três horas, a unidade permaneceu fechada para a dedetização do local. Pacientes foram transferidos para outros postos e foram usados sacos de lixo para remover os gafanhotos mortos. A unidade, uma das principais da zona norte da cidade, precisou passar por limpeza e desinfecção para retomar os atendimentos. 

Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, os gafanhotos assustaram os frequentadores de um shopping center. Grande quantidade de insetos se fixou na parede externa do estabelecimento, mas alguns espécimes foram encontrados nos corredores internos. Os gafanhotos se instalaram em árvores e palmeiras de uma praça próxima do shopping. Os bichos apareceram também em várias ruas no bairro Nossa Senhora das Graças, em Taubaté, na mesma região. 

Uma quantidade incomum de insetos, entre eles o gafanhoto-verde, conhecido como esperança, apareceu em vários pontos de Sorocaba, principalmente na região do Alto da Boa Vista, na zona leste. Os gafanhotos assustaram animais durante um desfile de cavaleiros, no último domingo. Os insetos se agrupavam em postes de iluminação da Avenida Três de Março, próximo do Parque Chico Mendes. Em Votorantim, cidade vizinha, os bichos invadiram uma igreja e foram encontrados em várias lojas do centro comercial. 

De acordo com o biólogo Welber Senteio Smith, da Secretaria de Meio Ambiente de Sorocaba, a proliferação maior é consequência da estiagem. "O gafanhoto se reproduz no período seco e o macho vive pouco, morrendo após acasalar." Segundo ele, a abundância do inseto indica um desequilíbrio ambiental, já que seu principal predador são as aves. "Precisamos de mais aves para ter um equilíbrio."

O gafanhoto não ataca pessoas, nem transmite doenças e, nas áreas urbanas, não representa risco. No meio rural, em grande quantidade, pode destruir plantações. No final de maio, foram atacadas lavouras no distrito de Candeias, em Claro dos Poções, norte de Minas Gerais.

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