Fuzis somem de quartel do Exército

Base fica atrás do Comando Militar do Sudeste, no Ibirapuera; dois dias após o caso, teria ocorrido uma tentativa de invasão do local

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Dois fuzis calibre 7,62 milímetros desapareceram da Base de Administração e Apoio da 2.ª Região Militar, que fica atrás do Comando Militar do Sudeste (CMSE), no Ibirapuera, zona sul de São Paulo, por volta das 2 horas de sábado. Foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) e 40 militares ficaram "à disposição do IPM". Eles só deixaram a unidade na terça-feira. Na segunda-feira, houve tentativa de invasão da mesma base.

Segundo o Exército, um soldado que estava de serviço em uma das guaritas do quartel percebeu que os fuzis de dois militares que estavam descansando haviam sumido do local em que as armas são presas com cadeados. Acionou o plano de emergência e 400 militares voltaram para o quartel - os generais foram informados às 10h15 de sábado. "Às vezes o armamento some do local, mas fica escondido no quartel. Depois, alguém aparece para resgatar as armas e, na segunda-feira, houve tentativa de invasão à base", disse um coronel ontem pela manhã. "Não sabemos se os crimes têm relação, mas isso está sendo investigado."

À noite, o coronel mudou a versão e disse que uma pessoa, que poderia estar bêbada, teria se aproximado do quartel. Procurado, o CMSE descartou oficialmente a hipótese de invasão.

O Exército registrou boletim de ocorrência e informou a PM. Um sargento, um cabo e 12 soldados estão citados no IPM como testemunhas - eles podem ser indiciados ao fim do inquérito. São exatamente os militares que estavam de serviço na guarda de onde as armas desapareceram. O CMSE disse que "uma série de procedimentos de segurança não foi seguida" e que "o IPM indicará as responsabilidades e todos os culpados serão rigorosamente punidos".

O Estado recebeu denúncia de que, durante o interrogatório, militares haviam sido torturados. "É mentira", afirmou o CMSE. "Todos os generais (quatro) foram para o local e acompanharam os procedimentos. Isso não seria permitido."

Ainda de acordo com o comando, todos os depoimentos são acompanhados por, no mínimo, duas testemunhas. "Quando há denúncia com nome do agressor ou do agredido, abrimos sindicância. Sem nomes, isso não é possível. Mas garantimos que não houve tortura."

Trote. O Estado também recebeu denúncia de um trote que teria sido aplicado em alunos da 2.ª companhia da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, interior de São Paulo. Militares estariam "com receio de denunciar maus-tratos".

O Centro de Comunicação Social do Exército confirmou ontem que um processo administrativo foi aberto para apurar o que ocorreu na noite de 17 de outubro. "O que chegou até nós é que 12 alunos foram levados para um banho no vestiário."

PARA LEMBRAR

Sete fuzis calibre 7,62 milímetros foram roubados do 6.º Batalhão de Infantaria Leve, em Caçapava, Vale do Paraíba, em 8 de março de 2009. Diversas operações foram realizadas em conjunto com as Polícias Federal, Civil e Militar em várias cidades do Vale do Paraíba e litoral norte do Estado. O último fuzil foi recuperado três meses e meio depois. Em 28 de abril deste ano, a Justiça Militar condenou dez pessoas e absolveu outros dois acusados. As penas variaram de 6 meses de detenção por condescendência criminosa a 16 anos de reclusão em regime fechado por roubo. Entre os condenados estavam dois cabos e quatro receptadores.

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